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quinta-feira, 02 de abril de 2026
📈 Economia

Usina de etanol de milho em Maracaju inicia operação e gera 520 empregos

Planta da FS Bioenergia produz 900 mil litros por dia. MS se torna 3º estado em etanol de milho. Investimento de R$ 1,2 bilhão.

Marcos Vinícius Borges7 min de leituraMaracaju
Usina de etanol de milho em Maracaju inicia operação e gera 520 empregos

A FS Bioenergia inaugurou na quarta-feira, 12 de fevereiro, sua usina de etanol de milho em Maracaju, no sul de Mato Grosso do Sul. A planta tem capacidade para processar 1.500 toneladas de milho por dia e produzir 900 mil litros de etanol — o suficiente para abastecer 18 mil carros. O investimento foi de R$ 1,2 bilhão e a operação gera 520 empregos diretos.

É a primeira usina de etanol de milho de MS e a maior do Centro-Oeste fora de Mato Grosso. Com ela, MS se torna o terceiro estado brasileiro em capacidade de produção de etanol de milho, atrás de MT e GO.

Por que etanol de milho em MS

A lógica é simples: MS produz 11,8 milhões de toneladas de milho safrinha por ano e não tem onde colocar tudo. O frete para exportação pelo porto de Paranaguá custa R$ 195 por tonelada. Transformar o milho em etanol na origem elimina o frete e agrega valor — o litro de etanol vale R$ 3,20, enquanto o quilo de milho vale R$ 1,03.

"Cada tonelada de milho vira 420 litros de etanol. A R$ 3,20 o litro, são R$ 1.344 de receita. O milho cru vale R$ 1.033 a tonelada. A diferença de R$ 311 é o valor agregado da industrialização", calculou o diretor da FS Bioenergia, Rafael Abud.

A usina consome 547 mil toneladas de milho por ano — 4,6% da produção de MS. A compra é feita diretamente de produtores num raio de 150 km, com contratos de longo prazo e preço mínimo garantido.

"Pra mim, a usina é um comprador fixo. Não preciso mais torcer pro preço subir na bolsa de Chicago. Tenho contrato de 3 anos com preço mínimo de R$ 55 a saca. Durmo tranquilo", disse o produtor Antônio Vidotto, de Maracaju, que fornece 8 mil toneladas por safra.

Subprodutos: DDG e óleo de milho

A usina não produz só etanol. O processo gera dois subprodutos valiosos: DDG (grãos secos de destilaria) e óleo de milho. O DDG é usado como ração animal — rico em proteína, substitui parcialmente o farelo de soja na dieta de bovinos e suínos. A usina produz 450 toneladas de DDG por dia, vendidas a confinamentos e granjas da região.

O óleo de milho, extraído antes da fermentação, é matéria-prima para biodiesel. A produção é de 45 mil litros por dia. A FS tem contrato com a Petrobras para fornecimento de óleo de milho para mistura ao diesel.

"A usina de etanol de milho é uma fábrica de 3 produtos. Etanol pra carro, DDG pro boi e óleo pro caminhão. Tudo a partir do mesmo grão", resumiu Abud.

Impacto em Maracaju

Maracaju tem 40 mil habitantes e economia baseada em soja, milho e pecuária. A usina é o maior investimento industrial da história da cidade. Os 520 empregos diretos representam 1,3% da população — e os indiretos (transporte, manutenção, alimentação) são estimados em 1.800.

O salário médio na usina é de R$ 3.400 para operador de produção — 70% acima do piso do comércio local. A FS oferece plano de saúde, vale-alimentação de R$ 600, transporte e participação nos lucros.

A prefeitura de Maracaju concedeu isenção de ISS por 10 anos e doou o terreno de 120 hectares onde a usina foi construída. O prefeito Marcos Calderan defendeu os incentivos: "A usina paga R$ 22 milhões de ICMS por ano ao estado. Gera R$ 21 milhões em massa salarial. O ISS que a gente abre mão é R$ 1,8 milhão. A conta fecha de longe."

Sustentabilidade e emissões

O etanol de milho tem pegada de carbono 40% menor que a gasolina, segundo estudo da Embrapa. A usina de Maracaju vai além: opera com caldeira a biomassa (cavaco de eucalipto), eliminando o uso de gás natural. A energia elétrica excedente — 12 MW — é vendida à rede da Energisa.

A água é o ponto sensível. A usina consome 4,2 milhões de litros por dia, captados do Rio Vacaria mediante outorga do Imasul. O sistema de reúso recicla 60% da água utilizada. O efluente tratado é usado para fertirrigação de 800 hectares de eucalipto que abastecem a caldeira.

"É um ciclo fechado. O milho vira etanol, o resíduo vira ração, a água volta pro campo, o eucalipto vira energia. Não sobra lixo", explicou a engenheira ambiental da usina, Carla Mendonça.

Na portaria da usina, às 6h, uma fila de 14 caminhões graneleiros aguardava para descarregar milho. O cheiro doce da fermentação — parecido com pão assando — se espalhava pelo ar frio da manhã. Um motorista, café na mão, olhava para os tanques prateados e comentou: "Quem diria que milho de Maracaju ia virar combustível. Meu avô plantava milho pra porco."

A revolução do etanol de milho em MS

MS é o 2º maior produtor de milho safrinha do Brasil — 14,8 milhões de toneladas em 2025/2026. A disponibilidade de matéria-prima abundante e barata (R$ 38/saca na porteira) torna o estado ideal para usinas de etanol de milho. A previsão é de que MS tenha 5 usinas de etanol de milho operando até 2028, produzindo 2 bilhões de litros por ano.

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💰 A nova usina de Maracaju

1

Investimento

R$ 420 milhões

2

Produção anual

380 milhões de litros

3

Empregos diretos

800

4

Milho processado/safra

900 mil toneladas

Fonte: FS Bioenergia / Semadesc-MS / ANP

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O etanol de milho é o futuro?

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MV

Marcos Vinícius Borges

Repórter