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quinta-feira, 02 de abril de 2026
🏥 Saúde

Governo de MS anuncia construção de novo hospital regional em Dourados com investimento de R$ 210 milhões

Unidade terá 280 leitos, centro de alta complexidade e heliponto. Obra deve começar no segundo semestre e gerar 3.200 empregos diretos durante construção.

Fernanda Costa7 min de leituraDourados
Governo de MS anuncia construção de novo hospital regional em Dourados com investimento de R$ 210 milhões

O governador Eduardo Riedel anunciou neste domingo, 30, durante cerimônia em Dourados, a construção do novo Hospital Regional de Alta Complexidade da macrorregião da Grande Dourados, com investimento total de R$ 210 milhões. A unidade será a maior obra de infraestrutura hospitalar do estado na última década e atenderá uma população estimada de 800 mil habitantes distribuída em 34 municípios da região sul de Mato Grosso do Sul.

O anúncio foi recebido com aplausos por prefeitos, vereadores e lideranças da área da saúde que lotaram o auditório do Centro de Convenções de Dourados. A construção do hospital é uma reivindicação histórica da região, que há mais de uma década enfrenta superlotação crônica no Hospital da Vida — única unidade de alta complexidade de Dourados, inaugurada em 2008 com capacidade para 198 leitos e que opera regularmente com taxa de ocupação acima de 105%.

Projeto e infraestrutura

O novo hospital será construído em uma área de 45 mil metros quadrados doada pela Prefeitura de Dourados no bairro Jardim Monte Líbano, próximo ao anel viário da cidade, com acesso rápido às rodovias MS-156 e MS-162, que conectam os municípios da região. O projeto arquitetônico, elaborado por escritório especializado em infraestrutura hospitalar contratado pelo governo estadual, prevê uma edificação de cinco pavimentos com área construída de 32 mil metros quadrados.

A estrutura contempla 280 leitos distribuídos em enfermarias de diversas especialidades, Unidade de Terapia Intensiva adulta com 40 leitos, UTI neonatal com 20 leitos, UTI pediátrica com 15 leitos, centro obstétrico com 8 salas, centro cirúrgico com 12 salas equipadas para procedimentos de alta complexidade, e pronto-socorro com capacidade para 200 atendimentos diários.

Área Capacidade
Leitos de enfermaria 205
UTI adulta 40
UTI neonatal 20
UTI pediátrica 15
Salas cirúrgicas 12
Salas de parto 8
Atendimentos PS/dia 200

Entre os diferenciais do novo hospital estão o serviço de hemodinâmica para cateterismo cardíaco e angioplastia — procedimento que hoje obriga pacientes da região a viajar até Campo Grande —, o centro de oncologia com equipamentos de radioterapia e quimioterapia, e o heliponto para recebimento de pacientes de urgência transportados por helicópteros do SAMU e do Corpo de Bombeiros.

Financiamento e cronograma

O investimento de R$ 210 milhões será financiado por uma composição de recursos estaduais e federais. O governo de MS destinará R$ 130 milhões do orçamento estadual, dos quais R$ 40 milhões já estão reservados no orçamento de 2026. Os R$ 80 milhões restantes da parcela estadual serão diluídos nos exercícios de 2027 e 2028, conforme o cronograma de execução da obra. A parcela federal, de R$ 80 milhões, virá de emendas parlamentares já empenhadas pela bancada federal de MS e de convênio com o Ministério da Saúde para habilitação de serviços de alta complexidade.

O secretário de Estado de Saúde detalhou que a licitação para a obra será publicada em maio de 2026, com previsão de assinatura do contrato em julho. A estimativa é de 30 meses de obra, com inauguração planejada para o primeiro semestre de 2029. O projeto será executado em três fases: estrutura e cobertura (12 meses), acabamento e instalações (10 meses) e equipagem, certificação e habilitação (8 meses).

Impacto na saúde regional

A construção do novo hospital é considerada essencial para desafogar o sistema de saúde da Grande Dourados, que sofre com filas de espera crônicas para consultas especializadas, cirurgias eletivas e internações. Dados da Secretaria de Saúde do estado apontam que, em fevereiro de 2026, 4.200 pacientes da região aguardavam cirurgias eletivas — tempo médio de espera de 14 meses para procedimentos ortopédicos e 18 meses para cirurgias cardíacas.

O presidente do Conselho Regional de Medicina de MS (CRM-MS) destacou que o novo hospital pode ser transformador para a fixação de médicos especialistas na região. "Dourados perde especialistas para Campo Grande e outros estados porque não tem infraestrutura hospitalar para procedimentos de alta complexidade. Com um hospital moderno, equipado, a cidade passa a atrair residências médicas, o que cria um ciclo virtuoso de formação e fixação de profissionais", avaliou.

A Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), que possui curso de Medicina desde 2015, manifestou interesse em firmar convênio para utilizar o novo hospital como hospital-escola, ampliando as vagas de residência médica na região. Atualmente, a UFGD oferece 60 vagas anuais no curso de Medicina e apenas 12 vagas de residência, insuficientes para absorver os egressos.

Geração de empregos

A construção do hospital gerará 3.200 empregos diretos durante os 30 meses de obra — entre operários da construção civil, técnicos de instalações especiais e profissionais de gerenciamento. O Sindicato da Construção Civil de Dourados informou que já recebe procura de trabalhadores que buscam qualificação para atuar na obra, e que planeja oferecer cursos de capacitação em parceria com o SENAI a partir de junho.

Após a inauguração, o hospital demandará aproximadamente 1.800 profissionais permanentes entre médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, farmacêuticos, profissionais de apoio e administrativos. O impacto econômico na cidade é estimado em R$ 15 milhões mensais em folha de pagamento e aquisição de insumos, o que posiciona a unidade como um dos maiores geradores de emprego e renda de Dourados.

Repercussão política

O anúncio tem forte conotação política em ano pré-eleitoral. A Grande Dourados é o segundo maior colégio eleitoral de MS, com mais de 500 mil eleitores, e a saúde é historicamente o tema mais citado em pesquisas de opinião como principal preocupação dos moradores. A oposição ao governo estadual reconheceu a importância da obra, mas cobrou garantias de que o cronograma será cumprido.

O deputado estadual e líder da oposição na Assembleia Legislativa avaliou que o governo precisa demonstrar compromisso real com a entrega. "Dourados já viu promessas de obras na saúde que não saíram do papel. O anúncio é positivo, mas vamos acompanhar cada etapa da licitação e da execução. O povo da fronteira sul merece um hospital de verdade, não um hospital de promessa eleitoral", declarou.

A Prefeitura de Dourados, aliada do governo estadual, informou que a cessão do terreno será formalizada em escritura pública até abril e que já iniciou as obras de infraestrutura viária no entorno — pavimentação de vias de acesso, rede de esgoto e iluminação pública — com investimento próprio de R$ 8 milhões.

Fonte: Governo do Estado de MS

❓ Perguntas Frequentes

A previsão é de 30 meses de obra, com inauguração planejada para o primeiro semestre de 2029. A licitação será publicada em maio de 2026.

280 leitos distribuídos entre enfermarias, UTI adulta (40 leitos), UTI neonatal (20 leitos), UTI pediátrica (15 leitos) e centro obstétrico.

Alta complexidade em cardiologia, oncologia, neurologia, ortopedia e traumatologia, além de centro cirúrgico com 12 salas e serviço de hemodinâmica.

Não. O Hospital da Vida continuará operando e será requalificado como unidade de média complexidade e pronto-atendimento após a inauguração do novo hospital.

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Fernanda Costa

Repórter