Debandada na Câmara: pelo menos 13 vereadores de Campo Grande querem vaga na ALEMS em 2026
Quase metade dos 29 vereadores da capital confirma intenção de disputar a Assembleia Legislativa ou a Câmara dos Deputados. Saída em massa pode esvaziar a Casa.

A corrida eleitoral de 2026 já provoca uma verdadeira debandada na Câmara Municipal de Campo Grande. Levantamento realizado junto aos gabinetes e publicado pelos principais veículos de imprensa do estado revela que pelo menos 13 dos 29 vereadores — quase metade da Casa — já manifestaram publicamente a intenção de disputar uma vaga na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS) ou na Câmara dos Deputados nas eleições de outubro.
Os nomes confirmados
Entre os vereadores que já confirmaram a intenção de concorrer a uma cadeira na Assembleia Legislativa, destacam-se parlamentares de peso de diferentes partidos, demonstrando que o movimento é transversal à divisão governo-oposição:
- Marcos Trad (PDT) — ex-prefeito e um dos nomes mais conhecidos da política campo-grandense
- Rafael Tavares (PL) — líder de uma das maiores bancadas da Casa
- Maicon Nogueira (PP) — vereador do partido do governador Riedel
- Dr. Victor Rocha (PSDB) — profissional de saúde com forte base na zona sul
- Flávio Cabo Almi (PSDB) — ex-policial com atuação marcante na área de segurança
- Luiza Ribeiro (PT) — principal nome da esquerda na Câmara
- André Salineiro (PL) — empresário com atuação no setor de serviços
- Ana Portela (PL) — única mulher entre os confirmados do PL
- Ademar Vieira Junior "Coringa" (MDB) — vereador com base no Aero Rancho
Outros parlamentares ainda estão em fase de avaliação, enquanto uma parcela menor já descartou candidaturas neste ciclo eleitoral, optando por buscar a reeleição ao Legislativo municipal.
Janela partidária: movimentações estratégicas
O período de janela partidária para deputados estaduais e federais — que se encerra em 3 de abril de 2026 — está provocando uma intensa movimentação nos partidos políticos de MS. Deputados que desejam trocar de legenda precisam formalizar a mudança até essa data, sob pena de perderem o mandato por infidelidade partidária.
Os vereadores, porém, não estão sujeitos a essa janela. Como ocupam cargos no Legislativo municipal, podem concorrer a cargos estaduais e federais pelo partido ao qual já estão filiados, sem necessidade de desincompatibilização ou troca de legenda. Essa regra facilita a migração de vereadores para disputas mais ambiciosas, já que não há risco político associado à filiação.
No âmbito dos partidos, o PL tem se destacado como a legenda que mais atraiu filiações de deputados estaduais durante a janela, consolidando-se como uma das forças políticas mais expressivas no estado. As novas adesões fortalecem a bancada do partido na ALEMS e aumentam a competitividade para as vagas federais.
Impacto na gestão municipal
A saída de quase metade dos vereadores da Câmara Municipal gera preocupações sobre a capacidade de funcionamento da Casa no segundo semestre de 2026, quando os parlamentares que decidirem concorrer precisarão se dedicar às campanhas eleitorais.
A legislação eleitoral não exige que vereadores se afastem do mandato para concorrer a outros cargos, mas a prática mostra que parlamentares em campanha tendem a reduzir significativamente sua presença nas sessões ordinárias e nas comissões permanentes, priorizando agendas eleitorais como corpo a corpo com eleitores, participação em eventos e produção de conteúdo para redes sociais.
Analistas políticos ouvidos pela reportagem apontam que o esvaziamento da Câmara pode ter consequências concretas para a gestão da capital:
- Projetos de lei parados: Matérias em tramitação podem perder relatores e não ser votadas a tempo
- Fiscalização enfraquecida: Comissões de fiscalização e CPIs podem ficar sem quórum
- Orçamento comprometido: Emendas parlamentares impositivas podem não ser adequadamente acompanhadas
O desafio eleitoral
Apesar da ambição, os vereadores que buscam ascensão política enfrentam desafios significativos. A eleição para a ALEMS é marcada pela competitividade — são 24 cadeiras disputadas por centenas de candidatos — e o capital político construído no âmbito municipal nem sempre se traduz em votos suficientes para uma eleição estadual.
Dados históricos mostram que, nas eleições de 2022, apenas 3 dos 14 vereadores de Campo Grande que concorreram à ALEMS foram efetivamente eleitos. Os demais não conseguiram alcançar o quociente eleitoral necessário, e vários deles ficaram sem mandato no Legislativo municipal e no estadual — um fenômeno conhecido como "ficar no vácuo".
A avaliação popular
O cenário se torna ainda mais complexo diante de pesquisas que apontam insatisfação da população campo-grandense com a gestão pública municipal. O Instituto Ranking Brasil Inteligência divulgou em março pesquisa indicando uma avaliação crítica de parte da população sobre a atuação da Câmara Municipal, com destaque para a polêmica votação do IPTU e questões envolvendo a relação entre os vereadores e o Poder Executivo municipal.
Os vereadores que optarem pela candidatura estadual terão que equilibrar o discurso de campanha — prometendo atuação na ALEMS — com o legado deixado na Câmara Municipal, que será alvo de escrutínio dos concorrentes e da imprensa durante o período eleitoral.
Calendário eleitoral 2026
As convenções partidárias para oficialização das candidaturas estão previstas para o período de 20 de julho a 5 de agosto de 2026. Até lá, vereadores e partidos continuarão negociando composições, alianças e definindo quais nomes terão prioridade nas chapas proporcionais. A campanha eleitoral oficial tem início em 16 de agosto, e as eleições estão marcadas para 4 de outubro de 2026.
As informações podem ser verificadas nos portais Campo Grande News, Correio do Estado, Capital News, Diário MS News e A Crítica, que acompanham as movimentações políticas no estado.
A dinâmica do suplente na Câmara Municipal
Quando um vereador se licencia ou renuncia ao mandato para concorrer a outro cargo, o suplente da coligação ou federação partidária pela qual o vereador foi eleito assume a cadeira. No entanto, a substituição por suplentes pode trazer descontinuidade aos trabalhos parlamentares, uma vez que os suplentes frequentemente não acompanharam a tramitação dos projetos de lei em andamento e precisam de tempo para se inteirar dos assuntos pendentes nas comissões.
Dados do IBGE sobre a estrutura política municipal mostram que, na legislatura 2017-2020, mais de 30% das câmaras municipais brasileiras com mais de 20 vereadores tiveram ao menos um terço de seus membros substituídos por suplentes durante o mandato. Em Campo Grande, a situação pode ser ainda mais acentuada se os 13 vereadores confirmarem suas candidaturas, o que representaria uma taxa de substituição de quase 45% — uma das maiores já registradas na história da Câmara Municipal.
O financiamento das campanhas
Outro aspecto relevante da "debandada" é o impacto financeiro das campanhas. Vereadores que disputam cargos estaduais precisam captar recursos significativamente maiores do que aqueles necessários para uma campanha municipal. O teto de gastos para candidatos a deputado estadual em MS, definido pelo TSE, é substancialmente superior ao teto para vereadores, o que exige dos candidatos uma estrutura de arrecadação mais robusta.
A distribuição dos recursos do Fundo Eleitoral pelos partidos também passa por negociações intensas. Os vereadores que decidem concorrer à ALEMS disputam fatias do fundo partidário com outros candidatos do mesmo partido, incluindo deputados estaduais que buscam a reeleição e que, em tese, teriam prioridade na alocação de recursos. Essa competição interna pode gerar tensões dentro das legendas e, em alguns casos, motivar a migração de candidatos para partidos que ofereçam condições mais favoráveis de financiamento.
O papel do eleitor na renovação política
A movimentação dos vereadores campo-grandenses coloca os eleitores diante de uma oportunidade e um desafio. A oportunidade é a possibilidade de renovação: com quase metade da Câmara potencialmente vaga, há espaço para novas lideranças e representações que reflitam melhor a diversidade social e geográfica de Campo Grande. O desafio é informar-se sobre os suplentes que assumirão as cadeiras e sobre os candidatos que disputarão as eleições, exigindo dos cidadãos um engajamento político mais ativo.
A movimentação também reforça a importância do voto consciente nas eleições municipais: ao escolher um vereador, o eleitor deve considerar não apenas a atuação do parlamentar, mas também a composição da chapa e os suplentes que poderão assumir a cadeira em caso de vacância.
💰 Os números da debandada
Vereadores que querem sair
13 de 29
Percentual da Casa
44,8%
Destino principal
ALEMS
Prazo janela partidária
Até 3 de abril
Fonte: Campo Grande News / Câmara Municipal de CG
❓ Perguntas Frequentes
Os suplentes de cada partido assumem as cadeiras até o final do mandato em 2028. Mas a alta rotatividade pode prejudicar a continuidade de projetos e comissões em andamento na Câmara.
Não. Diferente dos deputados, vereadores não têm janela de desincompatibilização partisan. Eles concorrem pelo partido ao qual já estão filiados.
Roberto Almeida
Repórter
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