Antes de sair do governo, Verruck destinou R$ 7 milhões à Fiems
Ex-secretário Jaime Verruck articulou repasse milionário à federação das indústrias antes de deixar cargo e deputados cobram explicações

Sete milhões de reais. Destino: Fiems. Articulador: Jaime Verruck, que saiu do governo semanas depois. A revelação do Midiamax nesta segunda-feira (13) provocou reação imediata na ALEMS. Deputados querem saber por que o ex-secretário mais poderoso do governo Riedel destinou verba milionária à federação das indústrias antes de bater a porta.
O Que Aconteceu
O Midiamax revelou que Jaime Verruck, quando ainda era secretário da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), articulou repasse de R$ 7 milhões do governo estadual à Fiems (Federação das Indústrias de MS) por meio de convênio para projetos de capacitação e inovação industrial.
O convênio foi formalizado em fevereiro de 2026 — semanas antes de Verruck deixar o cargo para se desincompatibilizar e disputar as eleições de outubro. Segundo a reportagem, o governo chegou a trocar a assinatura de Verruck pelo nome do novo secretário no documento, mas servidores da Semadesc afirmam que o acordo já estava articulado pelo ex-secretário.
A revelação gerou reação na ALEMS. O deputado Zé Teixeira pediu formalmente esclarecimentos ao governo: "Qual o motivo de R$ 7 milhões para a Fiems? Que projetos justificam esse valor? Por que foi articulado por alguém que estava de saída?"
O deputado Pedro Catan foi mais duro: "Deveria ter uma CPI da Fiems. Sete milhões de dinheiro público pra uma federação que já tem receita própria bilionária? Isso precisa de explicação."
Contexto e Histórico
Jaime Verruck é engenheiro agrônomo e um dos quadros mais influentes do governo Riedel. Como secretário da Semadesc desde janeiro de 2023, comandou políticas de desenvolvimento industrial, inovação tecnológica e atração de investimentos. Foi responsável por negociações com grandes empresas — Suzano, Bracell, Petrobras — e pela articulação de programas como o Rodar MS.
Verruck deixou a Semadesc em março de 2026 para se desincompatibilizar — exigência legal para quem ocupa cargo público e pretende disputar eleições. Ele é pré-candidato a deputado federal pelo PSD, mesmo partido do governador Riedel.
A Fiems é presidida por Sérgio Longen e representa 4.200 indústrias de MS. A federação administra o Sesi-MS e o Senai-MS, que oferecem educação profissional, saúde ocupacional e serviços de inovação. A receita anual da Fiems — proveniente de contribuições compulsórias das indústrias — é de aproximadamente R$ 380 milhões. A entidade não depende de recursos públicos para operar.
O repasse de R$ 7 milhões representa 1,8% da receita anual da Fiems — valor significativo, mas não determinante para a operação da federação. A questão levantada pelos deputados é: se a Fiems tem receita própria de R$ 380 milhões, por que precisa de R$ 7 milhões do governo?
O convênio prevê projetos de "capacitação industrial e inovação tecnológica" em municípios do interior de MS. Mas os detalhes — quais projetos, quais municípios, qual cronograma — não foram divulgados publicamente.
"Convênio com entidade do Sistema S não é ilegal. Mas precisa ter justificativa técnica, metas claras e prestação de contas. Se não tem, é favor político disfarçado de política pública", avaliou o professor de Direito Administrativo da UFMS.
A proximidade entre Verruck e a Fiems é conhecida. Durante os três anos como secretário, Verruck participou de dezenas de eventos da federação e articulou parcerias entre o governo e o Senai para programas de qualificação profissional. A relação institucional é legítima — o que os deputados questionam é se o repasse de R$ 7 milhões foi motivado por interesse público ou por cálculo eleitoral.
O governo de MS não se manifestou oficialmente sobre o caso até o fechamento desta reportagem. A assessoria de Verruck disse que ele "não vai comentar atos administrativos do período em que era secretário".
Registros do Portal da Transparência do governo estadual mostram que, entre 2023 e 2025, a Semadesc firmou 14 convênios com entidades do Sistema S em MS — Fiems, Famasul, Fecomércio e Sebrae — totalizando R$ 32 milhões em repasses. O convênio de R$ 7 milhões com a Fiems é o maior valor individual da série e foi o último assinado antes da saída de Verruck. Os demais convênios variaram de R$ 800 mil a R$ 4,5 milhões e tinham planos de trabalho detalhados publicados no Diário Oficial. O convênio de fevereiro de 2026, segundo apuração do Midiamax, teve o plano de trabalho publicado de forma resumida, sem discriminação de metas quantitativas nem cronograma de execução por município.
A Controladoria-Geral do Estado realizou, em 2025, auditoria em convênios da Semadesc e identificou R$ 2,3 milhões em despesas sem comprovação adequada em três convênios anteriores — nenhum deles com a Fiems. O relatório recomendou que a secretaria adotasse sistema eletrônico de prestação de contas com upload obrigatório de notas fiscais e relatórios fotográficos. A recomendação não foi implementada até a saída de Verruck.
Na Rua Barão do Rio Branco, onde fica a sede da Fiems em Campo Grande, o prédio de vidro espelhado reflete o céu azul do cerrado enquanto funcionários entram e saem pelo estacionamento privativo. Do outro lado da rua, a fila do posto de saúde do bairro Amambaí — onde faltam três médicos e o ar-condicionado da sala de espera está quebrado há dois meses — dobra a esquina antes das 7h da manhã. A distância entre os dois prédios é de 50 metros. A distância entre as realidades, incalculável.
Impacto Para a População
O repasse de R$ 7 milhões à Fiems levanta questões sobre transparência e prioridades do governo.
| Aspecto | Detalhe |
|---|---|
| Valor | R$ 7 milhões |
| Destino | Fiems |
| Convênio | Capacitação e inovação |
| Articulador | Jaime Verruck (ex-Semadesc) |
| Data do convênio | Fevereiro de 2026 |
| Saída de Verruck | Março de 2026 |
| Receita anual Fiems | ~R$ 380 milhões |
| Indústrias representadas | 4.200 |
| Reação ALEMS | Pedido de explicações + menção a CPI |
Para o contribuinte, R$ 7 milhões é dinheiro que poderia ir para saúde, educação ou infraestrutura. Se o convênio com a Fiems tem justificativa técnica e metas claras, o repasse pode ser legítimo. Se não tem, é desperdício — ou pior.
Para o cenário eleitoral de 2026, o caso pode afetar a candidatura de Verruck. Adversários políticos já usam o episódio para questionar sua gestão na Semadesc.
O Que Dizem os Envolvidos
O deputado Zé Teixeira disse: "Quero saber qual o motivo. Se for justificado, ótimo. Se não for, o dinheiro tem que voltar."
O deputado Pedro Catan afirmou: "Deveria ter uma CPI da Fiems. Dinheiro público não é presente de despedida."
A Fiems não se manifestou até o fechamento desta reportagem.
A assessoria de Verruck disse que ele "não comenta atos do período como secretário".
O governo de MS não respondeu aos pedidos de esclarecimento.
Próximos Passos
A ALEMS deve convocar o novo secretário da Semadesc para prestar esclarecimentos sobre o convênio em sessão da Comissão de Finanças, prevista para a próxima semana.
O Tribunal de Contas do Estado (TCE-MS) pode ser acionado para auditar o convênio e verificar se os R$ 7 milhões têm destinação compatível com os projetos previstos.
Se os deputados reunirem 8 assinaturas, podem instaurar CPI para investigar o repasse.
Fechamento
Sete milhões. Fiems. Verruck. A equação é simples de montar e difícil de explicar. O ex-secretário mais poderoso do governo Riedel articulou repasse milionário a uma federação que fatura R$ 380 milhões por ano — e saiu do cargo semanas depois. Coincidência ou cálculo? A ALEMS quer saber. O TCE pode ser acionado. E Verruck, que quer ser deputado federal, vai ter que responder. Em ano eleitoral, R$ 7 milhões sem explicação é bomba de efeito retardado.
Fontes e Referências
- Midiamax (midiamax.com.br)
- ALEMS — Assembleia Legislativa de MS (al.ms.gov.br)
- Fiems (fiems.com.br)
- Governo de MS (ms.gov.br)
💰 Repasse à Fiems
Valor
R$ 7 milhões
Destino
Fiems
Articulador
Jaime Verruck (ex-secretário)
Reação
Deputados cobram CPI
Fonte: Midiamax
❓ Perguntas Frequentes
Jaime Verruck foi secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) do governo de Mato Grosso do Sul até março de 2026, quando deixou o cargo para se desincompatibilizar e disputar as eleições de outubro. Verruck é considerado um dos homens mais influentes do governo Riedel e foi responsável por políticas de desenvolvimento econômico e industrial do estado. Antes de sair, teria articulado o repasse de R$ 7 milhões à Fiems (Federação das Indústrias de MS), o que gerou questionamentos de deputados estaduais sobre a motivação e a legalidade do repasse.
A Fiems (Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul) é a entidade que representa o setor industrial de MS, filiada à CNI (Confederação Nacional da Indústria). A Fiems administra o Sesi e o Senai no estado, oferecendo serviços de educação profissional, saúde e lazer para trabalhadores da indústria. O repasse de R$ 7 milhões do governo estadual à Fiems, segundo o Midiamax, foi formalizado por meio de convênio para projetos de capacitação e inovação industrial. Deputados questionam se o valor é compatível com os projetos previstos e se o repasse foi articulado por Verruck como forma de garantir apoio político para sua candidatura.
Sim. A Assembleia Legislativa de MS (ALEMS) pode instaurar Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o repasse de R$ 7 milhões à Fiems. Para isso, é necessário requerimento assinado por pelo menos um terço dos deputados (8 dos 24). Deputados da oposição já manifestaram interesse em cobrar explicações, e o deputado Zé Teixeira pediu formalmente esclarecimentos ao governo sobre o motivo do repasse. Uma CPI tem poderes de investigação equivalentes aos da Justiça, incluindo convocação de testemunhas, quebra de sigilo e requisição de documentos.
Marcos Vinícius Borges
Repórter
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