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sexta-feira, 03 de abril de 2026
🌾 Agro

Algodão avança em MS com 180 mil hectares plantados e atrai indústria têxtil

Área cresceu 34% em dois anos. Chapadão do Sul e Costa Rica lideram produção. Grupo cearense anuncia fábrica de fios em Três Lagoas.

Marcos Vinícius Borges7 min de leituraChapadão do Sul
Algodão avança em MS com 180 mil hectares plantados e atrai indústria têxtil

Mato Grosso do Sul plantou 180 mil hectares de algodão no ciclo 2025/2026 — crescimento de 34% sobre os 134 mil hectares de dois anos atrás. O estado é o quarto maior produtor do Brasil, atrás de Mato Grosso, Bahia e Goiás, e caminha para se tornar o terceiro até 2028, segundo projeção da Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão).

A produção estimada é de 310 mil toneladas de pluma, com produtividade média de 1.722 kg por hectare — a segunda maior do país, atrás apenas de Mato Grosso. Os dados são da Conab, divulgados em 28 de fevereiro.

Onde o algodão cresce

A produção se concentra no nordeste do estado, em municípios de altitude acima de 600 metros com solo de cerrado profundo. Chapadão do Sul lidera com 62 mil hectares, seguido por Costa Rica (38 mil), Cassilândia (24 mil), Paraíso das Águas (21 mil) e Água Clara (18 mil).

A região tem vantagens naturais: chuvas bem distribuídas entre outubro e março, inverno seco que favorece a colheita (maio a julho) e altitude que reduz a pressão de pragas como o bicudo-do-algodoeiro.

"O cerrado de MS é perfeito pra algodão. Mesma latitude de Luís Eduardo Magalhães, na Bahia, que é a capital do algodão brasileiro. A diferença é que aqui a terra ainda custa metade", comparou o produtor Sérgio Marchetti, que cultiva 4.200 hectares de algodão em Chapadão do Sul.

O preço da terra na região subiu 28% em dois anos — de R$ 38 mil para R$ 48,6 mil por hectare —, puxado justamente pela expansão do algodão. Produtores de soja estão convertendo parte da área para algodão, que tem margem de lucro superior: R$ 3.800 por hectare contra R$ 2.059 da soja neste ciclo.

A fábrica de fios em Três Lagoas

O grupo cearense Vicunha Têxtil anunciou em fevereiro a construção de uma fábrica de fios de algodão em Três Lagoas, com investimento de R$ 220 milhões e geração de 640 empregos diretos. A unidade vai processar 18 mil toneladas de pluma por ano — 5,8% da produção estadual.

"Hoje, 95% do algodão de MS sai do estado em pluma bruta. Vai pra São Paulo, pro Ceará, pra China. A gente exporta matéria-prima e importa camiseta. Essa fábrica começa a mudar isso", disse o secretário da Semadesc, Jaime Verruck.

A Vicunha escolheu Três Lagoas pela proximidade com a produção (Chapadão do Sul fica a 280 km), pela energia barata (a cidade tem 3 usinas hidrelétricas no entorno) e pelos incentivos fiscais do governo estadual — redução de 75% no ICMS por 12 anos.

A fábrica deve entrar em operação em março de 2028. O fio produzido será vendido para confecções do Sul e Sudeste e para exportação ao Peru e à Colômbia.

Sustentabilidade e certificação

O algodão de MS aposta na certificação ABR (Algodão Brasileiro Responsável), selo que atesta práticas sustentáveis de produção — uso racional de água, manejo integrado de pragas, respeito à legislação trabalhista e preservação de áreas de reserva legal.

Em 2025, 68% da área de algodão de MS tinha certificação ABR — acima da média nacional de 54%. A certificação agrega valor: a pluma certificada vale US$ 0,04 a mais por libra-peso no mercado internacional. Para uma produção de 310 mil toneladas, a diferença é de US$ 27 milhões por safra.

"O mercado europeu e o japonês só compram algodão certificado. Quem não tem selo, vende pra China a preço de commodity. Quem tem, vende pra Zara e Uniqlo a preço premium", explicou o consultor de mercado Vlamir Brandalizze.

O desafio ambiental é o consumo de água. O algodão irrigado — 22% da área em MS — consome 7.500 litros por quilo de pluma produzida. Em Chapadão do Sul, onde 40% da área é irrigada por pivô central, a outorga de uso da água do aquífero Guarani está no limite. A ANA não concede novas outorgas na região desde 2024.

"Não dá pra expandir irrigação sem planejamento hídrico. O aquífero Guarani é imenso, mas não é infinito. Se todo mundo furar poço, a pressão cai e o custo de bombeamento sobe", alertou o hidrogeólogo Dr. José Luiz Albuquerque, da UFMS.

Na fazenda de Sérgio Marchetti, a colheitadeira de algodão — uma máquina de R$ 4,8 milhões, importada dos Estados Unidos — aguardava a safra no galpão. "Daqui a 60 dias, ela entra no campo. Se o tempo ajudar, vai ser a melhor safra de algodão que MS já teve." Olhou pro céu. Nem uma nuvem.

O algodão premium de MS no mercado global

O algodão produzido em Chapadão do Sul é classificado como fibra tipo 1 pela Abrapa — a classificação mais alta, equivalente ao melhor algodão do mundo (igualando-se ao algodão Pima do Peru e ao Sea Island do Caribe). Compradores internacionais pagam prêmio de US$ 8 a US$ 12 por libra-peso acima da cotação ICE pelo algodão premium brasileiro.

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💰 O algodão de MS cresce

1

Área plantada

180 mil hectares

2

Crescimento

+32%

3

Produção esperada

310 mil toneladas

4

Valor da safra

R$ 1,8 bilhão

Fonte: Abrapa / Aprosoja-MS / Conab

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O algodão é boa alternativa à soja em MS?

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Marcos Vinícius Borges

Repórter