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quinta-feira, 02 de abril de 2026
📈 Economia

MS cria 8.420 empregos formais em janeiro e lidera Centro-Oeste

Saldo positivo supera Goiás e MT. Agronegócio e serviços puxam contratações. Campo Grande responde por 42% das vagas.

Patrícia Souza6 min de leituraCampo Grande
MS cria 8.420 empregos formais em janeiro e lidera Centro-Oeste

Mato Grosso do Sul criou 8.420 empregos formais em janeiro de 2026, liderando o saldo de contratações entre os estados do Centro-Oeste e ocupando a 8ª posição no ranking nacional. Os dados, divulgados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho, mostram que o estado registrou 42.300 admissões contra 33.880 desligamentos no mês — um saldo positivo que supera Goiás (7.890) e Mato Grosso (6.740) na região.

Desempenho por setor econômico

O mercado de trabalho formal de MS em janeiro foi puxado por dois vetores principais: o setor de serviços, que se beneficia do dinamismo urbano de Campo Grande e Dourados, e a agropecuária, que inicia o ano com as colheitas de soja e milho safrinha e a contratação sazonal em frigoríficos.

Setor Admissões Desligamentos Saldo Participação
Serviços 14.800 11.600 +3.200 38%
Agropecuária 8.400 6.300 +2.100 25%
Comércio 9.200 7.720 +1.480 18%
Indústria 5.600 4.620 +980 12%
Construção civil 4.300 3.640 +660 8%
Total 42.300 33.880 +8.420 100%

O setor de serviços liderou com 3.200 vagas líquidas, impulsionado por contratações em saúde (hospitais e clínicas, +820 vagas), transporte e logística (+640), alimentação e hospedagem (+480) e tecnologia da informação (+340). O crescimento em TI é especialmente relevante: Campo Grande consolidou-se como um polo emergente de desenvolvimento de software, com 14 empresas de tecnologia contratando programadores e analistas de dados em janeiro.

A agropecuária criou 2.100 vagas, com destaque para os frigoríficos — que respondem por cerca de metade das contratações do setor. A JBS, Marfrig e Minerva Foods admitem sazonalmente entre janeiro e março para atender à demanda internacional de carne bovina, que atinge pico na estação de churrascos do hemisfério norte (verão europeu e americano, maio-agosto).

Distribuição geográfica

A concentração geográfica do emprego formal em MS reflete a estrutura econômica do estado, com Campo Grande absorvendo uma fatia desproporcional das vagas:

Município Saldo Participação Setor dominante
Campo Grande 3.540 42% Serviços e comércio
Dourados 920 11% Agro e indústria
Três Lagoas 680 8% Celulose e indústria
Naviraí 420 5% Frigoríficos
Maracaju 380 5% Agroindústria (etanol)
Corumbá 290 3% Mineração e logística
Demais 73 municípios 2.190 26% Diversos

O predomínio de Campo Grande no mercado de trabalho formal é uma preocupação para analistas, que alertam para o risco de esvaziamento econômico do interior. "Se os empregos de qualidade se concentram na capital, o interior perde população jovem. É preciso que as políticas de atração industrial contemplem também as cidades menores", observou o economista Roberto Maluf, da Fiems.

Comparativo regional e nacional

No contexto do Centro-Oeste, MS se destacou como o líder em geração de empregos em janeiro:

Estado Saldo janeiro/2026 Taxa desemprego
Mato Grosso do Sul +8.420 4,8%
Goiás +7.890 5,6%
Mato Grosso +6.740 3,9%
Distrito Federal +5.200 8,4%

Mato Grosso mantém a menor taxa de desemprego da região (3,9%), mas MS supera todos em geração absoluta de vagas formais. No cenário nacional, o estado aparece na 8ª posição — atrás de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás e Bahia.

A taxa de desemprego de MS — 4,8% no 4º trimestre de 2025, segundo a PNAD Contínua do IBGE — é a 4ª menor do país, superada apenas por Mato Grosso (3,9%), Santa Catarina (4,1%) e Rondônia (4,5%). A média nacional é de 7,4%.

Perfil das vagas e salários

O salário médio de admissão em MS em janeiro foi de R$ 2.080 — 13% acima do salário mínimo nacional (R$ 1.845). A variação por setor é significativa:

Indústria: R$ 2.340 (o maior salário médio de admissão, puxado por vagas em celulose e metalurgia) Serviços: R$ 2.120 (com variação expressiva entre TI — R$ 3.800 — e alimentação — R$ 1.580) Agropecuária: R$ 1.980 (com diferença entre operadores de máquinas — R$ 2.800 — e trabalhadores rurais — R$ 1.480) Comércio: R$ 1.920 (média mais homogênea, concentrada em vendedores e caixas) Construção civil: R$ 1.850 (o setor com menor salário médio de admissão)

O perfil etário dos admitidos mostra que 52% tinham entre 18 e 29 anos, 28% entre 30 e 44 anos e 20% acima de 45 anos. Quanto à escolaridade, 44% tinham ensino médio completo, 22% superior incompleto ou em andamento, 18% superior completo e 16% ensino fundamental.

Perspectivas para 2026

A Funtrab (Fundação do Trabalho de MS) projeta que o estado criará entre 45 mil e 55 mil empregos formais ao longo de 2026, mantendo a tendência de crescimento observada em 2024 (48.200 vagas) e 2025 (52.400 vagas). Os setores com maior potencial são celulose (com a Bracell atingindo plena capacidade em Ribas do Rio Pardo), avicultura (com o novo frigorífico da BRF em Nova Andradina) e energias renováveis (com a expansão de parques solares no Bolsão).

O diretor-presidente da Funtrab, Márcio Monteiro, destacou que a qualificação profissional permanece como o maior desafio do mercado de trabalho de MS: "Temos vagas, mas falta mão de obra qualificada. Para operadores de CNC, eletricistas industriais e desenvolvedores de software, a demanda é maior do que a oferta. É por isso que programas como o Senai-MS são fundamentais."

💰 O mercado de trabalho de MS no seu dia a dia

1

Empregos criados em janeiro

8.420 vagas CLT

2

Salário médio de admissão

R$ 2.080/mês

3

Taxa de desemprego em MS

4,8% (4ª menor do BR)

4

Campo Grande concentra

42% das vagas

Fonte: Ministério do Trabalho / Caged / Funtrab-MS

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PS

Patrícia Souza

Repórter