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quinta-feira, 02 de abril de 2026
📈 Economia

MS se torna 5º estado em energia solar e atinge 1,8 GW de capacidade instalada

Geração distribuída cresce 42% em 2025. Sol forte e incentivos fiscais atraem investidores. Setor emprega 9.200 pessoas no estado.

Patrícia Souza7 min de leituraCampo Grande
MS se torna 5º estado em energia solar e atinge 1,8 GW de capacidade instalada

impactoNoBolso: titulo: "O sol como fonte de economia" items: - label: "Capacidade solar instalada em MS" valor: "500 MW" - label: "Geração distribuída" valor: "180 MW" - label: "Crescimento em 2025" valor: "+42%" - label: "Economia na conta de luz" valor: "Até 90%" Mato Grosso do Sul encerrou 2025 como o 5º estado brasileiro em capacidade instalada de energia solar, com 1,82 gigawatt — suficiente para abastecer 910 mil residências. O crescimento foi de 42% sobre 2024, quando a capacidade era de 1,28 GW. Os dados são da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica, divulgados em 20 de janeiro.

O estado fica atrás apenas de Minas Gerais (5,4 GW), São Paulo (4,8 GW), Rio Grande do Sul (3,1 GW) e Paraná (2,3 GW). Em termos per capita, MS é o 3º — atrás de Minas e Rio Grande do Sul.

Por que MS virou potência solar

Três fatores convergem. O primeiro é geográfico: MS tem uma das maiores irradiações solares do Brasil — média de 5,4 kWh/m² por dia, segundo o Atlas Solarimétrico do Inpe. Campo Grande tem 280 dias de sol por ano. O Pantanal e o cerrado, com vegetação baixa e céu aberto, são ideais para usinas de grande porte.

O segundo fator é fiscal. O governo estadual isenta de ICMS a energia gerada por sistemas fotovoltaicos de até 5 MW desde 2019. A isenção, renovada em 2024 por mais 5 anos, reduz o custo da energia solar em 18% para o consumidor. Nenhum outro estado do Centro-Oeste oferece benefício equivalente.

O terceiro é o custo dos painéis, que caiu 62% em 5 anos. Um sistema residencial de 5 kWp (suficiente para uma casa de 4 pessoas) custava R$ 32 mil em 2020. Em 2025, custa R$ 12.200. O payback — tempo para o investimento se pagar em economia na conta de luz — caiu de 7 anos para 3,2 anos.

"O produtor rural foi o primeiro a entender. Ele gasta R$ 8 mil por mês de energia com irrigação e resfriamento de leite. Coloca painel solar e zera a conta em 3 anos. Depois disso, é lucro puro", explicou o engenheiro eletricista Fábio Nakamura, diretor da Absolar em MS.

Geração distribuída: o motor do crescimento

Dos 1,82 GW instalados em MS, 1,14 GW (63%) são de geração distribuída — sistemas em telhados de residências, comércios, indústrias e propriedades rurais. Os outros 0,68 GW são de usinas solares de grande porte (geração centralizada).

MS tem 78.400 unidades consumidoras com geração solar própria — 6,2% do total de 1,26 milhão de unidades atendidas pela Energisa. A meta da concessionária é chegar a 10% até 2028.

O perfil dos adotantes mudou. Até 2022, 72% dos sistemas eram residenciais. Em 2025, o setor rural ultrapassou o residencial: 38% dos novos sistemas foram instalados em fazendas, contra 34% em casas e 28% em comércios e indústrias.

A fazenda Santa Maria, a 80 km de Campo Grande, instalou um sistema de 150 kWp em 2024 para alimentar pivôs de irrigação. O investimento foi de R$ 420 mil, financiado pelo Banco do Brasil com juros de 6% ao ano (linha Pronaf Eco). A economia mensal na conta de luz: R$ 14.200.

"Em 30 meses, o sistema se paga. Depois, são R$ 170 mil por ano que ficam no caixa da fazenda. Com esse dinheiro, comprei mais 200 cabeças de gado", contou o produtor Antônio Vidotto.

Empregos e cadeia produtiva

O setor solar emprega 9.200 pessoas em MS — entre instaladores, projetistas, vendedores, engenheiros e técnicos de manutenção. O número cresceu 35% em relação a 2024, segundo a Absolar.

Campo Grande concentra 42% dos empregos, seguida por Dourados (14%), Três Lagoas (9%) e Maracaju (6%). A maioria das vagas é para instalador fotovoltaico — profissional que monta os painéis nos telhados. O salário médio é de R$ 2.800 para instalador com certificação NR-35 (trabalho em altura).

O Senai-MS formou 1.240 instaladores fotovoltaicos em 2025, em cursos de 160 horas. A demanda por profissionais supera a oferta: empresas do setor relatam dificuldade para contratar. "Formo o cara em 4 meses e ele já sai empregado. Não tem desemprego nesse setor", disse o instrutor do Senai, Carlos Eduardo Martins.

Usinas de grande porte

Três usinas solares de grande porte estão em construção em MS. A maior é a Usina Solar Chapadão, em Chapadão do Sul, com 280 MW de capacidade — suficiente para abastecer 140 mil residências. O investimento é de R$ 1,1 bilhão, da empresa italiana Enel Green Power. A inauguração está prevista para setembro de 2026.

As outras duas: Usina Solar Ribas (120 MW, em Ribas do Rio Pardo, da empresa Atlas Renewable Energy) e Usina Solar Pantanal (85 MW, em Aquidauana, da Omega Energia). Juntas, as três adicionarão 485 MW à capacidade do estado.

A Aneel tem mais 12 projetos de usinas solares em MS em fase de licenciamento, somando 1.400 MW. Se todos forem construídos, MS ultrapassará 3 GW de capacidade instalada até 2029 — o suficiente para exportar energia para outros estados.

No telhado de um supermercado na Avenida Afonso Pena, em Campo Grande, 240 painéis solares refletiam o sol das 14h. O gerente, Marcos Tanaka, apontou para o medidor bidirecional na parede: "Tá injetando na rede. A gente gera mais do que consome. A Energisa que me paga agora." Sorriu. O sol de MS, que sempre castigou, agora rende.

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Fonte: Aneel / Absolar / Energisa MS

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Patrícia Souza

Repórter