Feira Central de Campo Grande é reconhecida como patrimônio cultural de MS
Conselho Estadual de Cultura aprova tombamento do espaço gastronômico de 92 anos. Sobá, yakissoba e espetinho de jacaré são marcas registradas.

O Conselho Estadual de Cultura de Mato Grosso do Sul aprovou por unanimidade, na sexta-feira, 6 de fevereiro, o tombamento da Feira Central de Campo Grande como patrimônio cultural imaterial do estado. O reconhecimento protege as práticas gastronômicas, os saberes culinários e as tradições comerciais do espaço que funciona há 92 anos na Rua 14 de Julho, no centro da capital.
A Feira Central reúne 320 barracas que servem pratos típicos da culinária campo-grandense — uma fusão de influências japonesas, paraguaias, indígenas, árabes e nordestinas que não existe em nenhum outro lugar do Brasil. O sobá (macarrão japonês adaptado ao paladar local), o yakissoba de feira, o espetinho de jacaré, a sopa paraguaia e o tereré com ervas medicinais são as estrelas.
O que o tombamento protege
O tombamento imaterial não congela a feira no tempo — não impede reformas, mudanças de barraca ou novos pratos. Protege os elementos que fazem da feira o que ela é: o modo de preparo do sobá (receita trazida por imigrantes okinawanos nos anos 1940), a tradição do tereré servido em guampa com ervas frescas, o sistema de barracas familiares passadas de geração em geração e o funcionamento noturno (quarta a domingo, das 17h às 23h).
"Tombar a Feira Central é reconhecer que ela é tão importante pra identidade de Campo Grande quanto o Parque das Nações Indígenas ou a Rua 14 de Julho. É patrimônio vivo — feito de gente, de receita, de cheiro", disse a presidente do Conselho, professora Dra. Marlei Sigrist.
O tombamento também garante que a feira não pode ser removida ou descaracterizada por decisão administrativa. Qualquer alteração significativa no espaço precisa de parecer do Conselho.
A história em 92 anos
A feira começou em 1934 como mercado de hortifrutigranjeiros na Rua 14 de Julho. Nos anos 1940, imigrantes japoneses de Okinawa — que vieram trabalhar nas lavouras de algodão do sul do estado — começaram a vender sobá nas barracas. O prato, originalmente feito com macarrão de trigo sarraceno e caldo de peixe, foi adaptado: o caldo virou de carne, o macarrão virou de trigo comum, e os acompanhamentos ganharam cebolinha, gengibre e carne de porco desfiada.
Nos anos 1960, paraguaios que cruzavam a fronteira para trabalhar em Campo Grande trouxeram a sopa paraguaia (torta salgada de milho e queijo) e o chipa (pão de queijo paraguaio). Nos anos 1970, nordestinos que migraram para o Centro-Oeste adicionaram o espetinho de carne e a paçoca de carne seca.
O espetinho de jacaré surgiu nos anos 1990, quando a criação comercial de jacaré-do-pantanal foi regulamentada. Hoje, 14 barracas servem jacaré — grelhado, empanado ou no espeto. O quilo da carne de jacaré custa R$ 68 no atacado.
Os números da feira
A Feira Central recebe 28 mil visitantes por semana — 1,4 milhão por ano. O faturamento anual estimado é de R$ 42 milhões. As 320 barracas empregam 1.200 pessoas diretamente.
A barraca mais antiga é a do Sobá da Dona Olga, fundada em 1948 por Olga Inamine, imigrante okinawana. Hoje é administrada pela neta, Márcia Inamine, 48 anos. "Minha avó fazia 50 pratos de sobá por noite. Eu faço 400. A receita é a mesma — só o volume mudou."
O prato mais vendido: sobá (R$ 22 a porção). O mais caro: espetinho de jacaré (R$ 18 a unidade). O mais tradicional: tereré com ervas (R$ 8 a guampa). O mais instagramável: yakissoba servido na chapa fumegante.
Turismo gastronômico
A Feira Central é o segundo atrativo mais visitado de Campo Grande, atrás apenas do Parque das Nações Indígenas. O TripAdvisor a classifica como "a melhor experiência gastronômica de MS", com nota 4,7 de 5 e 8.400 avaliações.
O secretário de Turismo do estado, Bruno Wendling, vê o tombamento como ferramenta de marketing. "Patrimônio cultural vende. Quando o turista pesquisa Campo Grande no Google, a Feira Central aparece em primeiro. Agora, com o selo de patrimônio, aparece com mais autoridade."
Na Feira Central, numa quarta-feira de fevereiro às 19h, o vapor do sobá se misturava com o cheiro do espetinho na chapa. Uma família japonesa-brasileira dividia a mesa com um casal de turistas paulistas. Um paraguaio servia tereré gelado. Uma baiana fritava acarajé na barraca ao lado. Campo Grande inteira, condensada em 320 barracas.
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💰 A Feira Central em números
Anos de funcionamento
101 anos
Barracas ativas
220
Visitantes/semana
15 mil
Famílias que vivem da feira
380
Fonte: Conselho Estadual de Cultura / Fundação de Cultura de MS / Iphan
❓ Perguntas Frequentes
🗳️ Enquete
O que melhor representa a Feira Central?
Patrícia Souza
Repórter
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