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quinta-feira, 02 de abril de 2026
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Governo de MS anuncia pacote de R$ 480 milhões para obras no interior

Investimento inclui pavimentação, pontes e infraestrutura em 32 municípios do estado, com previsão de início das obras ainda no primeiro semestre de 2026.

Lucas Ferreira6 min de leituraCampo Grande
Governo de MS anuncia pacote de R$ 480 milhões para obras no interior

O governador de Mato Grosso do Sul anunciou nesta quinta-feira um pacote de investimentos de R$ 480 milhões destinado a obras de infraestrutura em 32 municípios do interior do estado. O programa, batizado de "MS Conectado", prevê pavimentação de rodovias estaduais, construção de pontes e melhorias em acessos urbanos, e representa o maior investimento em infraestrutura viária já realizado pelo governo estadual em um único exercício.

O anúncio foi feito em cerimônia no Palácio do Governo, em Campo Grande, com a presença de prefeitos, secretários estaduais e deputados. O governador destacou que o programa é fruto de um diagnóstico técnico realizado ao longo de 18 meses, que mapeou os trechos mais críticos da malha viária estadual em termos de volume de tráfego, acidentes e impacto econômico.

Detalhes do investimento

Segundo o governo estadual, os recursos serão distribuídos em três eixos principais, cada um com metas específicas de execução e indicadores de desempenho que serão acompanhados por uma comissão técnica intersetorial.

Eixo Investimento Extensão/Unidades Prazo
Pavimentação de rodovias R$ 280 milhões 420 km 24 meses
Pontes e travessias R$ 120 milhões 15 pontes 18 meses
Acessos urbanos e vicinais R$ 80 milhões 32 municípios 12 meses
TOTAL R$ 480 milhões 2026-2028

O primeiro eixo, com R$ 280 milhões, será destinado à pavimentação de 420 quilômetros de rodovias estaduais que hoje se encontram em leito natural ou com pavimento comprometido. Entre os trechos prioritários estão a MS-384, que liga Ivinhema a Naviraí, e a MS-157, entre Jardim e Guia Lopes da Laguna, consideradas essenciais para o escoamento da produção agrícola do cone sul do estado.

"São rodovias que movimentam milhares de toneladas de grãos por ano e que, no período de chuvas, ficam intransitáveis por semanas. Isso gera um prejuízo bilionário para os produtores e encarece o frete em toda a cadeia", explicou o secretário de Infraestrutura e Obras Públicas, durante a apresentação do programa.

O segundo eixo, com R$ 120 milhões, contempla a construção de 15 pontes de concreto armado em substituição a estruturas de madeira que apresentam riscos estruturais. As pontes estão localizadas em rotas estratégicas para o escoamento da produção agropecuária, atravessando rios como o Ivinhema, o Brilhante e o Dourados. Algumas das estruturas atuais têm mais de 30 anos e já foram interditadas temporariamente pelo Corpo de Bombeiros devido a comprometimento estrutural.

O terceiro eixo, com R$ 80 milhões, será aplicado em melhorias de acessos urbanos, incluindo rotatórias, sinalização vertical e horizontal, recapeamento de trechos que conectam rodovias estaduais aos perímetros urbanos dos municípios beneficiados e implantação de vias marginais para separar o tráfego pesado do trânsito local. A medida busca reduzir os altos índices de acidentes registrados nas travessias urbanas de rodovias estaduais, especialmente nos municípios de Maracaju, Sidrolândia e Rio Brilhante.

Cronograma e modelo de execução

As licitações para as primeiras obras devem ser publicadas até maio de 2026, com previsão de início efetivo das obras no segundo semestre. O governo optou por um modelo de licitação que divide os projetos em lotes regionais, permitindo que empresas de médio porte do próprio estado participem do processo, fomentando a economia local e acelerando a execução.

"Dividindo em lotes menores, a gente democratiza o acesso das empresas sul-mato-grossenses aos contratos públicos e evita a concentração em grandes empreiteiras de outros estados", afirmou o governador. "Isso também reduz o risco de atrasos, porque temos vários canteiros funcionando simultaneamente."

O governo estima que o programa completo será executado em 24 meses, gerando aproximadamente 3.500 empregos diretos e 8.000 empregos indiretos durante o período de obras, com prioridade absoluta para a contratação de mão de obra local. Um programa de capacitação profissional será implementado em parceria com o SENAI-MS para qualificar trabalhadores da construção civil nos municípios beneficiados.

Os municípios beneficiados estão distribuídos por todas as regiões do estado, com concentração maior no cone sul e na região do Bolsão, áreas que historicamente apresentam maior déficit de infraestrutura viária. No cone sul, municípios como Naviraí, Itaquiraí, Iguatemi e Mundo Novo serão contemplados. No Bolsão, Paranaíba, Aparecida do Taboado e Cassilândia receberão investimentos significativos.

Impacto econômico e logístico

Especialistas em logística apontam que a melhoria da malha viária estadual pode reduzir em até 15% o custo do frete para o escoamento de grãos e proteína animal, principais produtos da economia sul-mato-grossense. A estimativa é que o retorno econômico do investimento supere R$ 1,2 bilhão em cinco anos, considerando a redução de custos logísticos, o aumento da competitividade regional e a diminuição de gastos com acidentes de trânsito.

"O agronegócio de MS perde R$ 800 milhões por ano com infraestrutura logística deficiente. Cada real investido em rodovias retorna de três a cinco vezes em ganhos de produtividade", avaliou o economista e professor da UFMS, Dr. Ricardo Mendonça, especialista em logística e cadeias produtivas.

Além do impacto direto no agronegócio, o programa também beneficia o setor de turismo, especialmente no Pantanal. A melhoria dos acessos a Corumbá, Miranda e Bonito pela malha estadual pode ampliar o fluxo turístico em até 20%, segundo projeções da Fundação de Turismo de MS.

Financiamento e contrapartidas

Os R$ 480 milhões serão financiados com uma combinação de recursos estaduais (R$ 180 milhões do Fundo de Desenvolvimento do Estado), recursos federais (R$ 200 milhões via convênio com o Ministério dos Transportes) e operação de crédito junto ao BNDES (R$ 100 milhões). Os municípios beneficiados terão como contrapartida a responsabilidade pela manutenção dos trechos urbanos após a conclusão das obras.

A Assembleia Legislativa já sinalizou apoio ao programa, que deve tramitar em regime de urgência para aprovação dos créditos suplementares necessários à execução do pacote. O líder do governo na Casa confirmou que o projeto de lei será votado na próxima semana, com expectativa de ampla aprovação.

O secretário de Infraestrutura destacou que o programa foi elaborado com base em estudos técnicos que priorizaram trechos com maior volume de tráfego e impacto econômico. As obras também levarão em conta critérios ambientais rigorosos, com compensações previstas para áreas de preservação permanente eventualmente afetadas e monitoramento ambiental durante toda a execução. Todas as intervenções terão licenciamento ambiental prévio junto ao IMASUL.

Fiscalização e transparência

O governo anunciou que todas as obras serão acompanhadas por um painel de transparência online, onde a população poderá monitorar em tempo real o andamento de cada projeto, incluindo percentual de execução, valores empenhados e previsão de conclusão. Além disso, será criado um canal direto para denúncias de irregularidades no portal do MS Conectado.

Histórico de investimentos e a nova fase

O pacote "MS Conectado" representa uma mudança de patamar nos investimentos estaduais em infraestrutura viária. Nos últimos 10 anos, a média anual de investimento em rodovias estaduais foi de R$ 120 milhões — montante insuficiente para cobrir sequer a manutenção preventiva da malha existente de 12 mil quilômetros. O resultado foi a deterioração progressiva das estradas, com 45% da malha estadual classificada como "regular" ou "ruim" pela pesquisa CNT de Rodovias 2025.

A nova fase de investimentos é possibilitada pela melhoria da arrecadação estadual, que cresceu 18% em 2025 impulsionada pelo desempenho do agronegócio e pela instalação de novas indústrias. O ICMS arrecadado pelo estado atingiu R$ 18,4 bilhões no último exercício, permitindo a constituição de reservas no Fundo de Desenvolvimento do Estado sem comprometer o equilíbrio fiscal.

O secretário de Planejamento destacou que o programa também incorpora critérios de resiliência climática nos projetos de engenharia. As novas pavimentações utilizarão materiais mais resistentes a chuvas intensas e variações térmicas, e os projetos de drenagem serão dimensionados para vazões de retorno de 50 anos — o dobro do padrão atual. A medida busca evitar a destruição prematura de pavimentos recém-construídos por eventos climáticos extremos, problema que consumiu R$ 85 milhões em reparos emergenciais nos últimos três anos.

Prefeitos dos municípios beneficiados manifestaram apoio unânime ao programa e se comprometeram a garantir a contrapartida municipal de manutenção dos trechos urbanos. O prefeito de Naviraí, que terá 45 quilômetros de rodovias pavimentados no âmbito do programa, classificou o MS Conectado como "a solução definitiva para o isolamento logístico do cone sul, que há décadas luta por condições mínimas de infraestrutura para escoar sua produção".

💰 Impacto no Bolso do Cidadão

1

Investimento por habitante de MS

R$ 171 por pessoa

2

Custo médio por km pavimentado

R$ 1,2 milhão/km

3

Economia estimada em manutenção veicular

R$ 840/ano por motorista

4

Geração de empregos diretos

4.200 vagas

Fonte: Governo do Estado de MS

❓ Perguntas Frequentes

As primeiras ordens de serviço serão emitidas em junho de 2026, com previsão de conclusão total até dezembro de 2028.

32 municípios do interior, com prioridade para as regiões do cone sul, Bolsão e Pantanal, onde o déficit de infraestrutura viária é mais agudo.

R$ 280 milhões de convênio com o DNIT (governo federal) e R$ 200 milhões do Fundo de Desenvolvimento do Estado, sem necessidade de empréstimo.

Não. O programa foca exclusivamente na malha estadual. Rodovias federais como BR-163 e BR-262 são responsabilidade do DNIT.

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Lucas Ferreira

Repórter