MS Conectado leva internet 4G a 180 comunidades rurais até junho
Programa estadual instala torres em parceria com operadoras. Investimento de R$ 94 milhões cobre 85% da zona rural. Produtor ganha acesso a agricultura digital.

O governo de Mato Grosso do Sul inaugurou na segunda-feira, 26 de janeiro, as primeiras 42 torres do programa MS Conectado, que vai levar sinal de internet 4G a 180 comunidades rurais do estado até junho de 2026. O investimento total é de R$ 94 milhões — R$ 56 milhões do governo estadual e R$ 38 milhões das operadoras Claro, Vivo e TIM, em regime de parceria público-privada.
As 42 torres inauguradas cobrem comunidades rurais de 18 municípios da região sul e sudoeste — Dourados, Maracaju, Ponta Porã, Amambai, Naviraí, Itaquiraí, Mundo Novo, Iguatemi, Jardim, Guia Lopes da Laguna, Bonito, Bodoquena, Nioaque, Bela Vista, Caracol, Antônio João, Aral Moreira e Laguna Carapã.
O problema que o programa resolve
Mato Grosso do Sul tem 2,8 milhões de habitantes, dos quais 340 mil (12%) vivem na zona rural. Desses, apenas 52% tinham acesso a internet em 2025, segundo a Anatel — contra 89% na zona urbana. A diferença de 37 pontos percentuais é a maior do Centro-Oeste.
A falta de conectividade na zona rural não é só inconveniência — é prejuízo econômico. O produtor sem internet não acessa cotações em tempo real, não usa aplicativos de gestão de fazenda, não opera máquinas com GPS e não participa de leilões online de gado.
"Eu perdi R$ 40 mil num lote de boi porque não consegui acessar o leilão online. O sinal caiu no meio do lance. Quando voltou, o lote já tinha sido arrematado por outro", contou o pecuarista Osvaldo Nunes, de Aquidauana.
A educação rural também sofre. Durante a pandemia, 28% dos alunos da zona rural de MS não conseguiram acessar aulas online por falta de internet. Em 2025, 14% ainda não tinham conexão adequada para atividades escolares digitais.
Como funciona
Cada torre do MS Conectado tem alcance de 15 km de raio e atende entre 200 e 800 usuários simultâneos. A velocidade mínima garantida é de 10 Mbps por usuário — suficiente para videoconferência, streaming e aplicativos de agricultura de precisão.
O modelo é PPP (parceria público-privada): o governo estadual banca a infraestrutura civil (base de concreto, cerca, energia elétrica) e as operadoras instalam e operam os equipamentos de telecomunicação. A concessão é de 15 anos, com obrigação de manutenção e atualização tecnológica.
"O governo faz a estrada até a torre. A operadora coloca a antena. O produtor paga o plano de internet — R$ 79 a R$ 149 por mês, dependendo da velocidade. Todo mundo ganha", explicou o secretário da Semadesc, Jaime Verruck.
Impacto na agricultura digital
A conectividade rural é pré-requisito para a agricultura 4.0 — uso de drones, sensores, GPS e inteligência artificial no campo. MS tem 38 agritechs no Hub AgroMS, mas a maioria dos produtos depende de internet para funcionar.
"Nosso sensor de solo transmite dados por rede LoRaWAN, que precisa de gateway conectado à internet. Sem 4G na fazenda, o sensor vira peso de papel", disse Rafael Shimizu, da startup SoloSmart.
A Embrapa estima que a agricultura digital pode aumentar a produtividade em 15% e reduzir custos em 12% — mas só funciona com conectividade. Com o MS Conectado, 85% da zona rural do estado terá cobertura 4G até junho — contra 52% hoje.
O programa também beneficia a pecuária. Sistemas de rastreabilidade bovina por chip (implantados em MS desde fevereiro) dependem de internet para transmitir dados dos scanners ao banco de dados central. Sem sinal, o chip é lido mas o dado não sobe.
Na fazenda Santa Helena, a 30 km de Ponta Porã, o pecuarista João Barbosa testou o sinal da torre recém-inaugurada no celular. Quatro barras de 4G. "Primeira vez que tenho sinal aqui. Vinte anos sem internet. Agora posso ver o preço do boi sem ir até a cidade." Abriu o aplicativo de cotações. Arroba a R$ 262. Fez uma careta. "Bom, pelo menos agora eu sei na hora que o preço tá ruim."
Impacto na educação e saúde rural
Além do agronegócio, a conectividade rural transformará os serviços de saúde e educação nas comunidades beneficiadas. O programa prevê instalação de pontos de telemedicina em 60 UBS rurais, permitindo consultas com especialistas de Campo Grande sem necessidade de deslocamento — economizando até R$ 320/consulta em transporte. Na educação, 45 escolas rurais terão acesso a plataformas de ensino online, biblioteca digital e videoaulas, ampliando as oportunidades de aprendizagem para os 8.400 alunos da zona rural. A inclusão digital também possibilitará acesso a serviços bancários digitais e programas governamentais (Cadastro Único, Bolsa Família, Pronaf) que hoje exigem viagem à cidade.
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💰 Conectando o campo
Comunidades beneficiadas
240
Investimento
R$ 86 milhões
Velocidade mínima
50 Mbps
Municípios atendidos
38
Fonte: Governo de MS / Anatel / Semadesc
❓ Perguntas Frequentes
🗳️ Enquete
Internet no campo muda a vida do produtor?
Patrícia Souza
Repórter
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