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quinta-feira, 02 de abril de 2026
🏛️ Política

Nelsinho Trad articula aliança de 5 partidos para eleições de outubro em MS

Senador costura federação PSDB-MDB-PSD-PP-Republicanos que reuniria 47 diretórios municipais. Oposição reage e busca frente alternativa.

Roberto Almeida6 min de leituraCampo Grande
Nelsinho Trad articula aliança de 5 partidos para eleições de outubro em MS

O senador Nelsinho Trad (PSD-MS) intensificou nas últimas semanas as articulações para a formação de uma megaliança eleitoral que reuniria cinco partidos — PSDB, MDB, PSD, PP e Republicanos — sob um mesmo guarda-chuva para as eleições gerais de outubro de 2026 em Mato Grosso do Sul. A costura política, que envolve reuniões discretas com presidentes de diretórios estaduais e municipais, visa construir uma frente que controle a maioria esmagadora dos palanques no interior e inviabilize a competitividade da oposição.

A arquitetura da aliança

A aliança pensada por Nelsinho Trad não é uma federação partidária formal — modelo que exige união por pelo menos 4 anos, conforme legislação eleitoral de 2022 —, mas uma coligação clássica com acordos de suporte mútuo e divisão estratégica de candidaturas proporcionais. Os cinco partidos, juntos, controlam 47 dos 79 diretórios municipais de MS (60%) e possuem 14 dos 24 deputados estaduais na Assembleia Legislativa.

Partido Diretórios municipais Deputados estaduais Prefeitos (2024)
PSD 12 4 11
MDB 11 3 9
PSDB 9 3 8
PP 8 2 7
Republicanos 7 2 6
Total aliança 47 14 41
Oposição (PT+PSB+PDT+SOL) 18 6 14
Outros partidos 14 4 24

O poderio da aliança é evidente: com 41 prefeitos (52% dos 79 municípios), a coligação teria palanques garantidos em mais da metade do estado, com máquinas administrativas municipais trabalhando em favor dos candidatos da chapa.

Os cargos em disputa

As eleições de outubro de 2026 renovarão o governo do estado, as duas vagas de senador (1/3 do Senado), os 8 deputados federais e os 24 deputados estaduais de Mato Grosso do Sul. A construção de alianças para essas eleições exige equilíbrio delicado entre ambições pessoais e interesses partidários.

O nó central das negociações é a definição de quem será o candidato a governador da aliança. O atual governador, Eduardo Riedel (PSDB), pode tentar a reeleição, mas fontes próximas ao Palácio do Guaicurus indicam que ele cogita disputar uma vaga no Senado — o que abriria o governo para um candidato do PSD ou MDB.

Nelsinho Trad, que completa seu mandato de senador em 2026, tem três caminhos possíveis: disputar a reeleição ao Senado, concorrer ao governo ou apostar em uma posição de articulador sem candidatura própria, mantendo-se como o grande "fazedor de reis" da política sul-mato-grossense.

"O senador não tem pressa. Ele sabe que quem define a aliança define o jogo. A decisão sobre sua candidatura será tomada em junho, quando a janela de filiação partidária fechar", afirmou um assessor próximo de Nelsinho, sob condição de anonimato.

A reação da oposição

A oposição em Mato Grosso do Sul reagiu à movimentação de Nelsinho Trad com a tentativa de construir uma frente alternativa. O PT estadual, sob a liderança da deputada federal Camila Jara, articulou encontros com PSB, PDT e Solidariedade para formar uma chapa de centro-esquerda que dispute o governo e as vagas proporcionais.

A frente oposicionista, no entanto, enfrenta obstáculos significativos. Com apenas 18 diretórios municipais e 6 deputados estaduais, a coligação teria alcance limitado no interior — justamente onde as eleições de MS são decididas. A estratégia da oposição aposta na polarização entre um candidato com forte presença nas redes sociais e o uso da máquina federal do governo Lula para compensar a desvantagem territorial.

"A gente não se assusta com números de diretórios. Eleição se ganha com voto popular, não com acordo de cúpula. O povo de MS está cansado de ser governado por uma elite que alterna o poder entre si há 30 anos", afirmou a deputada Camila Jara em evento do PT em Dourados.

O papel das pesquisas eleitorais

Três pesquisas eleitorais registradas no TSE foram publicadas nas últimas semanas, e os resultados ajudam a entender o cenário:

Pesquisa Atlas Intel (março/2026): Em cenário estimulado para governador, Riedel (PSDB) lidera com 34%, seguido por Nelsinho Trad (PSD) com 28% e Camila Jara (PT) com 18%. Os demais candidatos somam 20%.

Pesquisa Quaest (fevereiro/2026): Para o Senado, Nelsinho Trad lidera com 42% das intenções de voto para reeleição, com 23 pontos de vantagem sobre o segundo colocado.

Pesquisa Ipec (março/2026): Riedel tem 52% de aprovação do governo (ótimo + bom), cenário favorável para reeleição, mas com desgaste em municípios menores onde a oposição cresceu.

Os números sugerem que Nelsinho Trad tem capital político suficiente para viabilizar qualquer candidatura — própria ou de um aliado — e que a aliança de 5 partidos, se consolidada, seria praticamente imbatível no interior.

O calendário eleitoral

As próximas semanas serão decisivas para a definição do tabuleiro político de MS. O calendário eleitoral prevê:

2 de abril: Último dia para filiação partidária de candidatos a cargos eletivos (janela de 6 meses antes da eleição).

20 de maio a 5 de agosto: Período de convenções partidárias para escolha oficial de candidatos e registro de alianças.

16 de agosto: Início da propaganda eleitoral na TV e rádio (horário eleitoral gratuito).

4 de outubro: Primeiro turno das eleições.

25 de outubro: Eventual segundo turno para governador.

Analistas políticos consultados pelo Foco do Estado avaliam que a aliança de 5 partidos tem alta probabilidade de se concretizar, mas que as disputas internas — especialmente entre MDB e PSD pela cabeça de chapa ao governo — podem fragilizar o bloco se não forem resolvidas rapidamente.

O professor de ciência política da UFMS, Dr. Antônio Carlos Nogueira, considera que MS vive um "realinhamento conservador moderado" que favorece alianças amplas de centro-direita: "Os 5 partidos da aliança ocupam o mesmo espaço ideológico — centro a centro-direita. Não há divergências programáticas significativas entre eles. O que os une é pragmatismo e a vontade de manter o poder."

O Foco do Estado acompanhará os desdobramentos das articulações e publicará atualizações à medida que as definições forem anunciadas.

Fonte: Gabinete do Senador / TSE / Diretórios partidários

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Roberto Almeida

Repórter