PM apreende 14 armas e 2 kg de cocaína em operação no Tiradentes
Ação no bairro mais populoso de Campo Grande prendeu 9 suspeitos. Fuzil calibre 556 estava escondido em forro de residência.

impactoNoBolso: titulo: "O arsenal apreendido" items: - label: "Armas de fogo apreendidas" valor: "28 unidades" - label: "Munições" valor: "1.200" - label: "Drogas apreendidas" valor: "12 kg" - label: "Presos em flagrante" valor: "16 pessoas" A Polícia Militar de Mato Grosso do Sul apreendeu 14 armas de fogo — incluindo um fuzil calibre 556 — e 2,3 kg de cocaína em uma operação no bairro Tiradentes, em Campo Grande, na madrugada de quinta-feira, 19 de março. Nove pessoas foram presas. A ação mobilizou 84 policiais do Batalhão de Choque e do 1º Batalhão de Polícia Militar.
O Tiradentes, dividido em setores I, II e III, é o bairro mais populoso de Campo Grande, com 68 mil moradores. Também é o que registra o maior número de ocorrências de tráfico de drogas na capital — 187 em 2025, segundo a Sejusp.
A operação
A ação começou às 4h20 com o cumprimento simultâneo de 11 mandados de busca e apreensão em residências dos setores II e III. Os mandados foram expedidos pela 2ª Vara Criminal de Campo Grande, com base em investigação de 5 meses da Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico.
O fuzil calibre 556 — arma de uso restrito das Forças Armadas — foi encontrado no forro de uma casa na Rua Filinto Müller, no Tiradentes III. Estava enrolado em plástico filme, com 3 carregadores e 120 munições. O morador, identificado como W.R.S., 28 anos, tentou fugir pelos fundos e foi detido por policiais que cercavam o imóvel.
"Fuzil 556 em bairro residencial é gravíssimo. Essa arma tem alcance de 600 metros e perfura colete. Não é arma de traficante de esquina — é arma de facção", disse o comandante do Batalhão de Choque, tenente-coronel Fábio Duarte.
As outras 13 armas apreendidas: 4 pistolas 9mm, 3 revólveres calibre 38, 2 espingardas calibre 12, 2 pistolas 380 e 2 submetralhadoras artesanais. Também foram apreendidos R$ 28 mil em dinheiro, 4 celulares, 2 balanças de precisão e 340 pinos de cocaína prontos para venda.
O perfil dos presos
Dos 9 presos, 7 são homens e 2 são mulheres. A idade varia de 19 a 42 anos. Seis tinham antecedentes criminais por tráfico. O mais velho, J.C.M., 42 anos, é apontado pela polícia como o líder do grupo que controlava o tráfico no Tiradentes III.
Segundo a investigação, J.C.M. comprava cocaína de fornecedores de Ponta Porã a R$ 18 mil o quilo e revendia fracionada no bairro por R$ 80 o pino de 1 grama — faturamento bruto de R$ 80 mil por quilo. O grupo movimentava entre 8 e 12 kg por mês.
"Ele não é o grande traficante. É o gerente local. Compra do atacadista da fronteira e distribui no varejo. Pra chegar no atacadista, a investigação continua", explicou o delegado Marcos Oliveira, da Denar.
Uma das mulheres presas, A.S.L., 23 anos, era responsável pela contabilidade do grupo. Na casa dela, a polícia encontrou um caderno com anotações detalhadas: nomes de clientes, valores devidos, datas de pagamento e quantidades entregues. "Era o livro-caixa do tráfico. Tudo anotado à mão, com caneta azul, organizado por semana", descreveu o delegado.
Tiradentes: o bairro que pede socorro
O Tiradentes é um retrato das contradições de Campo Grande. Tem escolas, UBS, comércio ativo, igrejas em cada esquina e uma comunidade que trabalha. Tem também pontos de tráfico conhecidos por todos, ruas sem iluminação e uma base da PM que funciona com 12 policiais para cobrir 68 mil moradores.
A presidente da Associação de Moradores do Tiradentes II, Dona Sebastiana Alves, 61 anos, acompanhou a operação da janela de casa. "Eu vi os policiais entrando na casa do vizinho às 4 da manhã. Fiquei com medo, mas também fiquei aliviada. A gente pede segurança há anos. Quando vem, é assim — de madrugada, com fuzil."
A taxa de homicídios no Tiradentes foi de 28,4 por 100 mil habitantes em 2025 — quase o dobro da média de Campo Grande (15,2). A maioria das vítimas são homens jovens, entre 18 e 29 anos, envolvidos direta ou indiretamente com o tráfico.
O vereador Papy, que representa a região na Câmara Municipal, cobrou mais policiamento permanente. "Operação é bom, mas acaba. Amanhã os policiais vão embora e o bairro volta ao normal. A gente precisa de base comunitária funcionando 24 horas, com viatura na rua, não só de madrugada."
Armas de guerra na periferia
A apreensão do fuzil 556 reacende o debate sobre o armamento pesado que chega às periferias de Campo Grande. Em 2025, a PM apreendeu 7 fuzis na capital — contra 2 em 2023 e 4 em 2024. A escalada preocupa.
"Fuzil na periferia de Campo Grande era impensável há 5 anos. Hoje é realidade. Essas armas vêm do Paraguai, entram pela fronteira junto com a droga e chegam aqui em 48 horas", alertou o secretário de Justiça e Segurança Pública, Antônio Carlos Videira.
A Sejusp anunciou que vai ampliar o programa de videomonitoramento no Tiradentes, com instalação de 24 câmeras com reconhecimento facial nos principais acessos do bairro. O investimento é de R$ 1,8 milhão, com previsão de operação a partir de maio.
Os 9 presos foram encaminhados à Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) do Tiradentes e autuados por tráfico de drogas, associação para o tráfico e posse ilegal de arma de fogo de uso restrito. O fuzil foi encaminhado ao Exército para perícia de rastreamento.
Na Rua Filinto Müller, às 8h da manhã, crianças de uniforme escolar passavam pela casa onde o fuzil foi encontrado. A porta estava lacrada com fita da polícia. Um cachorro dormia na calçada. A vida seguia — como sempre segue no Tiradentes.
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Fonte: Polícia Militar de MS / Batalhão de Choque / Sejusp
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