PF desarticula esquema de lavagem de R$ 78 milhões com postos de combustível
Operação Combustão prendeu 12 pessoas em Campo Grande e Dourados. Grupo usava postos de gasolina e lava-jatos para lavar dinheiro do tráfico.

A Polícia Federal deflagrou na manhã de quarta-feira, 25 de fevereiro, a Operação Combustão contra um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou R$ 78 milhões em 3 anos usando postos de combustível e lava-jatos como fachada. Doze pessoas foram presas em Campo Grande (8) e Dourados (4). Foram cumpridos 28 mandados de busca e apreensão e bloqueados R$ 34 milhões em contas bancárias e imóveis.
A investigação, que durou 18 meses, revelou que o grupo comprava postos de combustível deficitários, injetava dinheiro do tráfico de drogas no caixa e declarava faturamento fictício para justificar a origem dos recursos.
O esquema
O grupo adquiriu 6 postos de combustível em Campo Grande e 3 em Dourados entre 2022 e 2025. Todos eram postos com faturamento baixo, comprados por valores abaixo do mercado. Após a aquisição, o faturamento declarado dos postos triplicava em poucos meses — sem aumento correspondente no volume de combustível comprado das distribuidoras.
"O posto vendia 100 mil litros por mês e declarava 300 mil. A diferença de 200 mil litros era faturamento fictício — dinheiro do tráfico entrando no caixa como se fosse venda de gasolina", explicou o delegado federal Ricardo Saadi.
Os lava-jatos anexos aos postos tinham função semelhante: declaravam 400 lavagens por dia quando a capacidade real era de 80. O excedente era dinheiro sujo entrando como receita de serviço.
O líder do esquema, identificado como V.R.M., 46 anos, empresário do ramo de combustíveis, não tinha antecedentes criminais. Morava em condomínio de luxo no bairro Chácara Cachoeira e dirigia uma BMW X5. Na residência, a PF encontrou R$ 620 mil em espécie, joias avaliadas em R$ 180 mil e documentos de 4 imóveis — 2 em Campo Grande, 1 em Bonito e 1 em Florianópolis.
A conexão com o tráfico
A investigação identificou que o dinheiro lavado tinha origem no tráfico de cocaína operado por uma facção com base em Ponta Porã. A droga entrava pela fronteira, era distribuída em Campo Grande e Dourados, e o lucro era canalizado para os postos de combustível.
O elo entre o tráfico e os postos era um contador — preso na operação — que mantinha duas contabilidades: a oficial (apresentada à Receita Federal) e a real (em planilhas criptografadas no computador). A PF apreendeu o computador e quebrou a criptografia com apoio do setor de tecnologia da Superintendência.
"O contador é a peça-chave. Sem ele, o dinheiro sujo não vira limpo. Ele sabia exatamente quanto podia declarar sem levantar suspeita da Receita", disse o delegado Saadi.
Apreensões e bloqueios
A Justiça Federal determinou o bloqueio de R$ 34 milhões em contas bancárias, aplicações financeiras e imóveis dos investigados. Foram apreendidos 9 veículos de luxo (BMW, Mercedes, Hilux), R$ 1,4 milhão em espécie, 18 celulares, 4 computadores e documentação contábil.
Os 9 postos de combustível foram interditados pela ANP por irregularidades na documentação fiscal. A interdição afeta o abastecimento em 2 bairros de Campo Grande (Tiradentes e Aero Rancho), onde 2 dos postos eram os únicos num raio de 2 km.
Os 12 presos responderão por lavagem de dinheiro (pena de 3 a 10 anos), organização criminosa (3 a 8 anos), sonegação fiscal (2 a 5 anos) e tráfico de drogas (5 a 15 anos). As penas somadas podem chegar a 38 anos.
O MPF pediu a decretação de perdimento dos 9 postos de combustível em favor da União — se aceito pela Justiça, os postos serão leiloados e o valor revertido ao Fundo Nacional Antidrogas.
Na porta de um dos postos interditados, no Aero Rancho, um frentista que perdeu o emprego com a interdição fumava sentado no meio-fio. "Eu não sabia de nada. Abastecia carro, limpava vidro, recebia meu salário. Agora tô na rua." Apagou o cigarro. "Pelo menos o salário era de verdade."
O combate sistêmico à lavagem
A Operação Combustão é a quinta operação da PF contra lavagem de dinheiro em postos de combustível em MS nos últimos 3 anos — evidenciando que o setor é vulnerável pelo alto volume de caixa em espécie e pela dificuldade de auditoria de volume de combustível efetivamente vendido. O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do MP-MS trabalha em conjunto com a PF para rastrear os destinos finais do dinheiro lavado — incluindo imóveis em condomínios de luxo de Campo Grande, veículos blindados e transferências para contas em Cidade del Este (Paraguai). A estimativa é de que o tráfico de drogas em MS lave entre R$ 500 milhões e R$ 1 bilhão por ano através de empresas de fachada.
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💰 O esquema de lavagem desarticulado
Dinheiro lavado
R$ 78 milhões
Presos
12 pessoas
Valores bloqueados
R$ 34 milhões
Postos envolvidos
8 estabelecimentos
Fonte: Polícia Federal / MPF / Receita Federal
❓ Perguntas Frequentes
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Qual setor é mais vulnerável à lavagem de dinheiro?
Camila Ferreira
Repórter
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