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quinta-feira, 02 de abril de 2026
🔴 Urgente🏥 Saúde

Secretaria de Saúde confirma primeiro caso de febre oropouche em Mato Grosso do Sul

Paciente de 34 anos de Corumbá testou positivo para o vírus. SES ativa protocolo de vigilância e intensifica combate ao mosquito Culicoides paraensis na região do Pantanal.

Juliana Mendes6 min de leituraCorumbá
Secretaria de Saúde confirma primeiro caso de febre oropouche em Mato Grosso do Sul

A Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul (SES-MS) confirmou nesta segunda-feira, 31, o primeiro caso autóctone de febre oropouche no estado. O paciente é um homem de 34 anos, morador da zona rural de Corumbá, que apresentou sintomas em 18 de março e foi diagnosticado após exames laboratoriais realizados pelo Laboratório Central de MS (Lacen-MS).

O caso foi confirmado por teste de RT-PCR específico para o vírus Oropouche (OROV), enviado ao Instituto Adolfo Lutz em São Paulo para contraprova. A confirmação laboratorial definitiva chegou na última sexta-feira, 28. O paciente, que trabalha com pesca e turismo na região do Pantanal, apresentou febre alta (39,8°C), cefaleia intensa, mialgia e artralgia. Ele foi internado por três dias no Hospital Regional de Corumbá e recebeu alta em estado estável, em recuperação domiciliar.

Ações de vigilância

A SES-MS ativou o protocolo de vigilância para arboviroses emergentes, mobilizando equipes de entomologia e epidemiologia para a região de Corumbá. Nas próximas 72 horas, serão realizadas capturas de mosquitos do gênero Culicoides em um raio de 5 km ao redor da residência e do local de trabalho do paciente, para confirmar a presença do vetor na região e identificar possíveis locais de reprodução.

O Culicoides paraensis — conhecido popularmente como maruim, borrachudo ou mosquito-pólvora — é o principal vetor do vírus Oropouche. Diferentemente do Aedes aegypti (vetor da dengue), o Culicoides se reproduce preferencialmente em solo úmido com matéria orgânica em decomposição, troncos de árvores caídas e acúmulo de folhas — ambiente abundante na região pantaneira.

A vigilância epidemiológica municipal de Corumbá já registrou 23 casos suspeitos de "síndrome febril indiferenciada" nas últimas três semanas, que agora serão retroativamente testados para oropouche. Todos os pacientes apresentaram sintomas compatíveis — febre, dor de cabeça e dores musculares — e haviam sido inicialmente classificados como suspeitas de dengue ou chikungunya.

Contexto nacional

O caso de MS se insere em um cenário de expansão geográfica do vírus Oropouche no Brasil. Em 2025, o país registrou mais de 10 mil casos confirmados em 14 estados, com concentração na região amazônica (Amazonas, Pará e Rondônia). Em 2026, já foram confirmados 3.200 casos até fevereiro, com expansão para estados do Centro-Oeste e Sudeste que anteriormente não registravam a doença.

A Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (SVS) emitiu alerta epidemiológico nacional em janeiro de 2026, orientando todos os estados a incluírem o oropouche no diagnóstico diferencial de síndromes febris agudas. A preocupação é que muitos casos estejam sendo subnotificados por serem confundidos com dengue, já que os sintomas iniciais são semelhantes.

Prevenção e recomendações

A SES-MS recomendou à população de Corumbá e região pantaneira a adoção de medidas preventivas individuais, como uso de repelentes à base de DEET ou icaridina, roupas de manga longa ao entardecer e ao amanhecer (horários de maior atividade do Culicoides), instalação de telas de malha fina em janelas e portas, e eliminação de acúmulo de matéria orgânica em decomposição próxima a residências.

Para operadores de turismo do Pantanal — segmento econômico fundamental para Corumbá —, a orientação é informar visitantes sobre os riscos e fornecer repelentes. A Secretaria de Turismo do município emitiu nota garantindo que "o caso isolado não compromete a segurança dos visitantes, desde que adotadas as medidas preventivas recomendadas".

O prefeito de Corumbá solicitou ao governo estadual reforço de equipes de controle vetorial e ampliação da capacidade diagnóstica do laboratório municipal, que atualmente não possui teste para oropouche. A SES-MS informou que enviará kits de diagnóstico rápido para Corumbá, Aquidauana e Miranda — os três municípios com maior interface com o ecossistema pantaneiro — até a primeira semana de abril.

Fonte: SES-MS / SVS / Lacen-MS

❓ Perguntas Frequentes

É uma doença viral transmitida pela picada do mosquito Culicoides paraensis (maruim). Causa febre alta, dores de cabeça, musculares e articulares, podendo evoluir para meningite em casos raros.

Não. A transmissão ocorre exclusivamente pela picada do mosquito vetor. Não há transmissão direta entre humanos.

Não há vacina disponível. A prevenção é feita pelo controle do mosquito vetor e uso de repelentes e roupas de manga longa em áreas de risco.

São causadas por vírus diferentes e transmitidas por mosquitos diferentes (Culicoides para oropouche, Aedes aegypti para dengue). Os sintomas iniciais são semelhantes, mas o oropouche raramente causa hemorragias.

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Juliana Mendes

Repórter