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quinta-feira, 02 de abril de 2026
🏙️ Cidades

Parque das Nações Indígenas recebe R$ 14 milhões em reforma e ganha ciclovia

Maior parque urbano de Campo Grande terá pista de corrida nova, playground acessível, iluminação LED e 3,2 km de ciclovia. Obra começa em abril.

Patrícia Souza6 min de leituraCampo Grande
Parque das Nações Indígenas recebe R$ 14 milhões em reforma e ganha ciclovia

A Prefeitura de Campo Grande anunciou um investimento de R$ 14 milhões para a reforma e modernização do Parque das Nações Indígenas, o maior parque urbano do Centro-Oeste brasileiro, com 116 hectares de área verde no coração da capital. As obras, que terão início em abril de 2026 e previsão de conclusão em dezembro, incluem a construção de uma ciclovia de 3,2 quilômetros, renovação completa da pista de caminhada e corrida, instalação de playground acessível para crianças com deficiência, troca de toda a iluminação por LED e revitalização dos decks de contemplação do lago Itamaracá.

O escopo da reforma

O Parque das Nações Indígenas foi inaugurado em 1994 e não recebia uma intervenção estrutural significativa desde 2014 — 12 anos sem investimentos de grande porte. O resultado é uma infraestrutura deteriorada: pavimentação quebrada, iluminação insuficiente, banheiros precários, mobiliário urbano danificado e áreas de lazer obsoletas.

A reforma foi planejada pela Planurb (Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano) com base em uma consulta pública online que recebeu 4.200 respostas de frequentadores do parque. As cinco demandas mais citadas foram: ciclovia (68%), iluminação noturna (62%), banheiros adequados (58%), playground para crianças (52%) e segurança com câmeras (48%).

Intervenção Investimento Detalhes
Ciclovia (3,2 km) R$ 3,8 milhões Pista bidirecional, 3m largura, separada
Pista de caminhada/corrida (4,5 km) R$ 2,6 milhões Piso emborrachado, sinalização
Iluminação LED (380 postes) R$ 2,2 milhões 100% LED, economia de 60%
Playground acessível R$ 1,4 milhão Equipamentos inclusivos, piso absorvente
Banheiros (4 módulos novos) R$ 1,2 milhão Acessíveis, com fraldário
Decks de contemplação (3 novos) R$ 980 mil Madeira sustentável, sobre o lago
Mobiliário urbano (bancos, lixeiras) R$ 680 mil 180 bancos, 120 lixeiras seletivas
Paisagismo e plantio R$ 520 mil 800 mudas nativas, jardim sensorial
Câmeras de segurança (48) R$ 420 mil Monitoramento 24h, integrado à GCM
Sinalização e comunicação visual R$ 180 mil Totens, mapas, trilhas identificadas
Total R$ 14 milhões

A ciclovia: conexão com a cidade

A ciclovia do Parque das Nações será a peça central da reforma. Com 3,2 km de extensão, pista bidirecional de 3 metros de largura e separação física da pista de caminhada, o projeto conecta-se à rede cicloviária existente de Campo Grande — que totaliza 28 km distribuídos em 8 bairros.

O projeto prevê dois pontos de conexão com a malha cicloviária urbana: na Avenida Afonso Pena (lado norte do parque) e na Rua Antônio Maria Coelho (lado leste). Com essas conexões, ciclistas poderão sair de casa em bairros como Centro, Vilas Boas e Carandá Bosque e chegar ao parque pedalando em ciclovias segregadas — sem disputar espaço com automóveis.

A Associação de Ciclistas de Campo Grande (Pedala CG) celebrou o anúncio: "A ciclovia no parque era nossa reivindicação número um há 10 anos. Transformará o Parque das Nações no hub central da mobilidade ativa de Campo Grande", disse o presidente da associação, Rafael Torres.

Inclusão e acessibilidade

O novo playground acessível — investimento de R$ 1,4 milhão — será o primeiro espaço público de lazer infantil plenamente inclusivo de Campo Grande. Os equipamentos são projetados para serem utilizados por crianças com e sem deficiência: balanços com suporte para cadeira de rodas, escorregadores com rampa de acesso lateralizada, caixa de areia sensorial com texturas diversas e painel musical interativo.

O piso do playground será de borracha absorvente (EPDM), com espessura de 5 cm — suficiente para amortecer quedas de até 2,5 metros de altura, conforme norma ABNT NBR 16071. As cores do equipamento seguirão um padrão de contrastes visuais projetado para crianças com baixa visão.

"Hoje, mães de crianças cadeirantes não conseguem levar seus filhos para brincar no parque. Os equipamentos atuais são inacessíveis. O novo playground muda isso — é projetado para que todas as crianças brinquem juntas, sem segregação", explicou a coordenadora de Acessibilidade da Planurb, arquiteta Luciana Moraes.

Iluminação e segurança

A troca de toda a iluminação do parque — atualmente composta por lâmpadas de vapor de sódio (amareladas e deficientes) — por tecnologia LED de alta eficiência é outro ponto central da reforma. Os 380 novos postes terão luminárias LED de 150W, com percepção luminosa equivalente a 400W de tecnologia convencional, gerando economia de 60% no consumo de energia elétrica.

A iluminação LED também permitirá a expansão do horário de utilização do parque. Atualmente, a maioria dos frequentadores evita o parque após as 18h por falta de visibilidade e percepção de insegurança. Com a nova iluminação, a expectativa é que o horário de funcionamento seguro se estenda até as 22h.

Complementando a iluminação, 48 câmeras de monitoramento serão instaladas em pontos estratégicos — entradas, estacionamentos, playground, pista de caminhada e áreas de contemplação. As imagens serão monitoradas em tempo real pela Central de Operações da Guarda Civil Metropolitana.

Impacto social e ambiental

O Parque das Nações Indígenas recebe aproximadamente 180 mil visitantes por mês — é o espaço público mais frequentado de Mato Grosso do Sul. A reforma visa ampliar esse número para 240 mil mensais, com a atração de novos públicos: ciclistas, famílias com crianças com deficiência e frequentadores noturnos.

Do ponto de vista ambiental, o parque abriga remanescentes de cerrado urbano com mais de 140 espécies de árvores nativas, 78 espécies de aves e 22 espécies de mamíferos. A reforma inclui o plantio de 800 novas mudas de espécies nativas do cerrado e a criação de um jardim sensorial com plantas aromáticas e medicinais tradicionais dos povos indígenas da região.

💰 O que a reforma do Parque significa para CG

1

Investimento total

R$ 14 milhões

2

Área do parque

116 hectares

3

Visitantes/mês

180 mil pessoas

4

Ciclovia nova

3,2 km

Fonte: Prefeitura de Campo Grande / Planurb / Secretaria de Obras

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PS

Patrícia Souza

Repórter