Pecuária de MS bate recorde de exportações para China com US$ 2,1 bilhões
Estado consolidou posição de segundo maior exportador de carne bovina do país. Habilitação de novos frigoríficos e demanda asiática crescente impulsionaram resultado.

Mato Grosso do Sul encerrou 2025 como o segundo maior estado exportador de carne bovina do Brasil, com receita total de US$ 2,1 bilhões em exportações para a China — crescimento de 28% em relação ao ano anterior e novo recorde histórico para o setor no estado. Os dados, consolidados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e analisados pela Federação de Agricultura e Pecuária de MS (Famasul), confirmam a consolidação do estado como fornecedor estratégico de proteína animal para o mercado asiático.
O volume exportado atingiu 485 mil toneladas equivalentes de carcaça, representando 22% do total das exportações brasileiras de carne bovina para o mercado chinês. A China absorveu 68% das exportações de carne de MS, seguida por Hong Kong (8%), Estados Unidos (6%), Chile (4%) e Emirados Árabes (3%). A diversificação de mercados também avançou, com primeiras exportações para Filipinas e Vietnã totalizando US$ 45 milhões.
Fatores do crescimento
| Mercado | Volume (ton) | Receita (US$) | Participação |
|---|---|---|---|
| China | 330 mil | US$ 1,43 bi | 68% |
| Hong Kong | 39 mil | US$ 168M | 8% |
| EUA | 29 mil | US$ 126M | 6% |
| Chile | 19 mil | US$ 84M | 4% |
| Emirados Árabes | 15 mil | US$ 63M | 3% |
| Outros | 53 mil | US$ 229M | 11% |
| Total | 485 mil | US$ 2,1 bi | 100% |
O resultado recorde é atribuído a uma convergência de fatores favoráveis que potencializaram tanto a oferta quanto a demanda. No lado da oferta, a habilitação de quatro novos frigoríficos sul-mato-grossenses para exportação à China pelo Ministério da Agricultura, em parceria com a Administração Geral de Aduanas da China (GACC), ampliou a capacidade de processamento voltada ao mercado asiático em 35%.
Os novos frigoríficos habilitados estão localizados em Naviraí, Bataguassu, Cassilândia e Aparecida do Taboado, totalizando capacidade adicional de abate de 4.500 cabeças por dia. Com isso, MS passa a contar com 14 plantas frigoríficas habilitadas para China, superando Goiás e ficando atrás apenas de Mato Grosso em número de unidades credenciadas.
No lado da demanda, a crescente classe média chinesa — estimada em 550 milhões de pessoas — mantém apetite crescente por proteína animal de alta qualidade. A preferência por cortes nobres brasileiros, especialmente picanha, alcatra e filé mignon, tem impulsionado os preços pagos por tonelada exportada. O preço médio do quilo de carne bovina exportada por MS para a China foi de US$ 4,35, 12% acima do preço médio global.
"A carne brasileira, e particularmente a sul-mato-grossense, conquistou um posicionamento premium no mercado chinês. Os consumidores chineses associam a carne do Brasil a gado criado a pasto, livre de hormônios sintéticos e com rastreabilidade completa. Isso nos dá uma vantagem competitiva significativa sobre concorrentes como Austrália, Argentina e Índia", explicou o presidente da Famasul.
Rastreabilidade e sustentabilidade
Um diferencial competitivo que tem sido decisivo na conquista de mercados cada vez mais exigentes é o sistema de rastreabilidade bovina implementado em MS. O estado foi pioneiro na adoção do Sistema de Identificação Individual de Bovinos (SISBOV), que rastreia cada animal desde o nascimento até o abate, garantindo informações sobre origem, vacinações, alimentação e condições de bem-estar animal.
A rastreabilidade também atende às crescentes exigências ambientais dos mercados compradores. A União Europeia, que implementou o EU Deforestation Regulation (EUDR) em 2025, exige que a carne importada seja proveniente de áreas livres de desmatamento posterior a 2020. MS, com 86% de suas pastagens localizadas em áreas consolidadas (legalmente desmatadas antes do Código Florestal de 2012), tem posição privilegiada para atender a essas exigências.
O estado investiu R$ 45 milhões em um sistema de monitoramento ambiental via satélite que cruza os dados de rastreabilidade bovina com imagens de satélite para verificar automaticamente se as fazendas fornecedoras de cada frigorífico estão em conformidade ambiental. O sistema, operado pelo IMASUL em parceria com o INPE, já é reconhecido internacionalmente como referência em monitoramento de cadeias produtivas sustentáveis.
Cadeia produtiva e empregos
A pecuária é o setor que mais emprega no interior de MS, com 180 mil postos de trabalho diretos na criação de gado e mais 65 mil nos frigoríficos e na cadeia de processamento. O crescimento das exportações gerou 8.500 novos empregos formais no setor em 2025, com destaque para as vagas nos novos frigoríficos habilitados.
O valor adicionado pela cadeia pecuária à economia do estado é estimado em R$ 32 bilhões anuais, considerando desde a venda de insumos veterinários e ração até o transporte refrigerado e a exportação portuária. Cada cabeça de gado abatida em MS gera impacto econômico de aproximadamente R$ 6.800 considerando toda a cadeia produtiva.
Os produtores rurais também se beneficiam da valorização da arroba do boi gordo, que encerrou 2025 cotada a R$ 295 em MS — aumento real de 18% em relação ao ano anterior. A receita bruta média por hectare de pastagem bem manejada no estado atingiu R$ 3.200, tornando a pecuária cada vez mais competitiva com a agricultura em termos de rentabilidade por área.
Desafios e perspectivas para 2026
O setor enfrenta desafios significativos para manter o ritmo de crescimento. A guerra comercial entre EUA e China, com imposição mútua de tarifas, paradoxalmente beneficiou o Brasil no curto prazo ao redirecionar a demanda chinesa, mas cria incertezas sobre o equilíbrio global de oferta e preços a médio prazo.
A sanidade animal continua sendo preocupação constante. MS mantém status de zona livre de febre aftosa sem vacinação desde 2023, conquista que abriu mercados como Japão e Coreia do Sul. Qualquer surto aftoso poderia causar embargo imediato e prejuízos bilionários ao setor.
Para 2026, a Famasul projeta crescimento de 15% nas exportações, impulsionado pela habilitação de mais dois frigoríficos para o mercado chinês e pela abertura do mercado canadense para a carne bovina brasileira. O investimento planejado pelo setor privado em ampliação de capacidade de abate e processamento totaliza R$ 850 milhões, reforçando a posição de MS como potência global da pecuária.
Bem-estar animal como diferencial competitivo
Um aspecto cada vez mais relevante na conquista de mercados premium é a adoção de práticas de bem-estar animal. MS saiu na frente ao implementar, em 2024, o protocolo estadual "Boi Feliz", que estabelece padrões mínimos de manejo, transporte e abate humanitário que vão além das exigências legais federais. O protocolo, desenvolvido em parceria entre a Famasul, a UFMS e a World Animal Protection, exige que as propriedades certificadas garantam acesso a sombra, água limpa em abundância, espaço adequado por animal e transporte com duração máxima de 12 horas até o frigorífico.
Atualmente, 45% do rebanho comercial de MS está em propriedades certificadas pelo protocolo, e a meta é atingir 70% até 2028. A certificação agrega valor ao produto final — a carne bovina certificada "Boi Feliz" é vendida com ágio de 8% a 15% nos mercados europeu e japonês, compensando largamente os custos de adequação das propriedades.
O investimento em genética também contribuiu para o resultado recorde. A inseminação artificial atingiu taxa de cobertura de 35% nas propriedades comerciais de MS — a maior do Brasil — e o uso de avaliação genômica para seleção de reprodutores tornou o rebanho nelore sul-mato-grossense referência mundial em eficiência produtiva. O peso médio de abate subiu de 18 para 19,5 arrobas nos últimos três anos, resultado direto do melhoramento genético e da melhoria das pastagens com variedades de capim mais nutritivas e resistentes à seca.
A rastreabilidade blockchain, implementada piloto em 2025 por três frigoríficos de MS, permite que o consumidor final na China escaneie um QR Code na embalagem e acesse informações completas sobre o animal — fazenda de origem, raça, alimentação, vacinações, distância de transporte e data de abate. A tecnologia, que será expandida para todos os frigoríficos habilitados até 2027, representa o próximo patamar de transparência na cadeia produtiva e fortalece a posição competitiva da carne sul-mato-grossense nos mercados mais exigentes do mundo.
💰 Pecuária no Bolso do Sul-Mato-Grossense
Receita de exportação
US$ 2,1 bilhões
Empregos diretos na cadeia
245 mil postos
Arroba do boi gordo (média 2025)
R$ 295/@
Impacto econômico por cabeça abatida
R$ 6.800
Fonte: Famasul / MDIC
❓ Perguntas Frequentes
É o segundo, atrás apenas de Mato Grosso. MS exportou 485 mil toneladas equivalentes de carcaça em 2025.
A classe média chinesa (550 milhões de pessoas) demanda proteína de qualidade. A carne brasileira é associada a gado a pasto, sem hormônios, com rastreabilidade.
86% das pastagens estão em áreas consolidadas legalmente. O sistema de rastreabilidade SISBOV e monitoramento por satélite garantem conformidade ambiental.
Protocolo estadual de bem-estar animal que exige sombra, água limpa, espaço adequado e transporte máximo de 12h até o frigorífico. 45% do rebanho já é certificado.
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Qual a maior vantagem competitiva da carne de MS?
Roberto Almeida
Repórter
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