Produção de tilápia em MS cresce 38% e estado mira top 5 nacional
Rio Brilhante e Itaquiraí lideram expansão. Tanques-rede no Rio Paraná e açudes de fazenda impulsionam a aquicultura sul-mato-grossense.

A produção de tilápia em Mato Grosso do Sul atingiu 24.800 toneladas em 2025 — crescimento de 38% sobre as 18 mil toneladas de 2024. O salto coloca o estado na 7ª posição nacional, subindo duas posições, e na rota para entrar no top 5 até 2028. Os dados são da Peixe BR (Associação Brasileira da Piscicultura), divulgados em 18 de fevereiro.
Rio Brilhante lidera a produção com 4.200 toneladas, seguido por Itaquiraí (3.600), Mundo Novo (2.800), Naviraí (2.400) e Dourados (1.900). A região sul do estado concentra 72% da produção.
O que impulsiona o crescimento
Dois modelos de produção coexistem em MS. O primeiro é o tanque-rede em reservatórios de usinas hidrelétricas — principalmente no Rio Paraná, nos municípios de Mundo Novo, Itaquiraí e Naviraí. Os tanques-rede são gaiolas flutuantes de 6 a 18 metros cúbicos, instaladas em áreas concedidas pela Aneel. A produtividade é alta: 80 a 120 kg por metro cúbico por ciclo de 8 meses.
O segundo modelo é o viveiro escavado em fazendas — açudes de 1 a 5 hectares alimentados por nascentes ou poços artesianos. É o modelo predominante em Rio Brilhante e Dourados, onde pecuaristas diversificam a renda com piscicultura. A produtividade é menor (8 a 12 toneladas por hectare por ano), mas o investimento inicial também.
"O pecuarista que tem açude na fazenda já tem a infraestrutura. Compra alevino, compra ração, e em 8 meses tem peixe pra vender. O custo de entrada é R$ 15 mil por hectare de lâmina d'água. O retorno vem no primeiro ciclo", explicou o extensionista da Embrapa, Dr. Agostinho Catella.
A ração é o maior custo — 65% do total. Com o milho a R$ 62 a saca (componente principal da ração de tilápia), o custo de produção subiu 12% em 2025. O preço de venda da tilápia inteira no atacado é de R$ 14 o quilo. O filé, R$ 38. A margem é apertada na tilápia inteira e confortável no filé.
O frigorífico que faltava
O gargalo histórico da piscicultura em MS era a falta de frigorífico de processamento. O produtor vendia peixe vivo ou inteiro, sem agregar valor. Em outubro de 2025, a empresa Peixe Vivo inaugurou frigorífico em Itaquiraí com capacidade para processar 30 toneladas de tilápia por dia — filé, postas, empanados e hambúrguer de peixe.
"Antes, eu vendia tilápia inteira a R$ 12 o quilo pro atravessador. Agora vendo pro frigorífico a R$ 14 e ele transforma em filé a R$ 38. Todo mundo ganha mais", disse o piscicultor Marcos Shimizu, de Rio Brilhante, que produz 180 toneladas por ano em 12 hectares de viveiro.
O frigorífico emprega 120 pessoas e exporta filé de tilápia para Estados Unidos e Europa, onde o produto é vendido como "Brazilian tilapia" — marca que ganha espaço no mercado de proteína branca sustentável.
Desafios ambientais
A piscicultura em tanque-rede no Rio Paraná gera preocupação ambiental. A ração não consumida e as fezes dos peixes liberam nutrientes (fósforo e nitrogênio) na água, podendo causar eutrofização — proliferação de algas que reduz o oxigênio e mata peixes nativos.
O Imasul limita a densidade de tanques-rede a 1% da área do reservatório e exige monitoramento trimestral da qualidade da água. Em 2025, 2 produtores de Mundo Novo foram multados por exceder a densidade permitida.
"Piscicultura bem feita não polui. Piscicultura mal feita destrói o reservatório. A diferença é manejo e fiscalização", disse a bióloga Mariana Campos, do Imasul.
A Embrapa pesquisa rações de baixo fósforo que reduzem a carga de nutrientes na água em 40%. O custo é 8% maior que a ração convencional, mas a economia em multas e a preservação do recurso hídrico compensam.
Na fazenda de Marcos Shimizu, às 6h da manhã, os viveiros borbulhavam com tilápias subindo à superfície para comer. O aerador girava espalhando oxigênio. Um garça-branca pescava na margem, indiferente ao negócio humano ao redor. "Ela come de graça. Eu pago ração", brincou Shimizu.
O futuro aquícola de MS
O governo estadual lançou em 2025 o programa Peixe MS, com meta de dobrar a produção de tilápia do estado até 2028 — atingindo 50 mil toneladas anuais. O programa inclui crédito subsidiado via FCO (Fundo Constitucional do Centro-Oeste), assistência técnica da Agraer e parcerias com a Embrapa Pesca e Aquicultura para desenvolvimento de linhagens geneticamente melhoradas de tilápia. A expectativa é que MS alcance o top 5 nacional e comece a exportar filé de tilápia fresco para mercados de alto valor — EUA, Europa e Emirados Árabes — que pagam até US$ 12/kg pelo produto brasileiro certificado.
HASHTAGS: #FocoDoEstado #Agro #Tilápia #Piscicultura #Aquicultura #MS #MatoGrossoDoSul #RioBrilhante #Produção #PeixeBR CHAMADA: 📰 Produção de tilápia em MS cresce 38% e estado mira top 5 nacional → Leia no Foco do Estado
💰 A piscicultura de MS em números
Produção 2025
24.800 toneladas
Crescimento
+38%
Posição nacional
7º lugar
Empregos diretos
3.200
Fonte: Iagro / Embrapa / Peixe BR
❓ Perguntas Frequentes
🗳️ Enquete
A piscicultura é o futuro do agro de MS?
Marcos Vinícius Borges
Repórter
Leia também
Abril Verde: MS lança campanha estadual de prevenção a acidentes de trabalho com seminários em Campo Grande
01 de abril de 2026
🏛️ PolíticaALEMS aprova alteração no Plano de Cargos do Judiciário e alinha data-base de reajuste ao Executivo
01 de abril de 2026
🏙️ CidadesEmergência ambiental: Governo Federal declara estado de alerta no Pantanal e Bombeiros ativam Operação 2026
01 de abril de 2026
🏥 SaúdeChikungunya avança em MS com mais de 3.200 casos e 7 óbitos: estado lidera incidência nacional
01 de abril de 2026