Polícia Civil prende quadrilha que aplicava golpes com PIX falso em Campo Grande
Operação Pixel cumpriu 8 mandados de prisão contra organização que causou prejuízo de R$ 2,1 milhões em comércios e empresas. Líder do grupo utilizava tecnologia de deepfake.
A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul deflagrou na manhã desta segunda-feira, 31, a Operação Pixel, que resultou na prisão de oito integrantes de uma organização criminosa especializada em golpes com comprovantes falsos de transferência PIX. A quadrilha atuava em Campo Grande desde outubro de 2025 e é responsável por um prejuízo estimado em R$ 2,1 milhões, distribuídos em 340 operações fraudulentas contra comerciantes, empresas de delivery e prestadores de serviços.
Os mandados de prisão e de busca e apreensão foram cumpridos simultaneamente em oito endereços nos bairros Jardim Los Angeles, Tiradentes, Nova Lima e Aero Rancho. A operação mobilizou 45 policiais da Delegacia Especializada de Repressão a Fraudes (DERF) e da Delegacia de Crimes Cibernéticos (DCC), com apoio da Guarda Civil Metropolitana.
O modus operandi
O delegado responsável pela investigação explicou que a quadrilha operava com três níveis de sofisticação. No primeiro — responsável por 60% dos golpes — os criminosos utilizavam um aplicativo pirata que gerava comprovantes de PIX visualmente idênticos aos do Banco do Brasil, Caixa, Nubank e Itaú. O comprovante falso era enviado por WhatsApp ao comerciante, que entregava a mercadoria sem conferir o recebimento no extrato bancário.
No segundo nível, utilizado em transações de maior valor (acima de R$ 5 mil), a organização empregava tecnologia de deepfake de voz para simular ligações de confirmação. Um dos membros do grupo ligava para o comerciante se passando por funcionário do banco, confirmando que "a transferência foi processada e o valor será compensado em até 2 horas" — tempo suficiente para o criminoso desaparecer com a mercadoria.
O terceiro nível, mais raro e voltado para empresas, envolvia a criação de páginas falsas de internet banking que replicavam o ambiente visual dos bancos. A vítima recebia um link para "conferir" a transferência e era direcionada a uma página idêntica à do banco, que exibia o comprovante fraudulento.
Os alvos preferenciais
A investigação revelou que os alvos preferenciais da quadrilha eram revendedoras de celulares (32% dos golpes), lojas de materiais de construção (21%), empresas de delivery de alimentos (18%), concessionárias de veículos (15%) e prestadores de serviços diversos (14%). O maior golpe individual foi de R$ 87 mil, aplicado contra uma concessionária de motos usadas no bairro Tiradentes, onde o criminoso "pagou" com PIX falso e retirou duas motocicletas.
Os comerciantes vítimas relataram que o comprovante falso era tão convincente que "só descobriam o golpe horas depois, ao conferir o extrato". Uma proprietária de loja de celulares no centro de Campo Grande contou que perdeu R$ 34 mil em mercadorias em três operações separadas com o mesmo grupo, antes de registrar o boletim de ocorrência.
Material apreendido
Durante as buscas, a polícia apreendeu 23 celulares, 4 notebooks, 2 impressoras térmicas para emissão de comprovantes físicos, R$ 48 mil em dinheiro e três veículos de luxo adquiridos com produtos dos golpes — um BMW X1, um Toyota Corolla Cross e uma Hilux SW4. Também foram encontrados 12 chips de celular pré-pagos em nome de terceiros, utilizados para dificultar o rastreamento.
Em um dos endereços, no bairro Nova Lima, os investigadores encontraram um "escritório" montado com três monitores e equipamentos de edição de áudio e vídeo, utilizado para produzir os deepfakes de voz e as páginas bancárias falsas. O equipamento foi encaminhado para perícia no Instituto de Criminalística de MS.
Tipificação e penas
Os oito presos — cinco homens e três mulheres, com idades entre 22 e 41 anos — foram autuados por estelionato qualificado mediante fraude eletrônica (art. 171, §2º-A do Código Penal, incluído pela Lei 14.155/2021), associação criminosa (art. 288 do CP) e lavagem de dinheiro (Lei 9.613/98). A pena para estelionato eletrônico qualificado é de 4 a 8 anos de reclusão — mais severa que o estelionato comum.
O delegado titular da DERF informou que a investigação continua para identificar eventuais comparsas em outros estados e rastrear o destino dos valores movimentados pela quadrilha, estimados em mais de R$ 5 milhões incluindo a venda dos produtos obtidos nos golpes. A Polícia Civil reforçou o alerta aos comerciantes para sempre confirmarem o recebimento do PIX diretamente no aplicativo bancário antes de liberar mercadorias.
Fonte: Polícia Civil de MS / DERF
❓ Perguntas Frequentes
A quadrilha usava comprovantes falsos gerados por aplicativo pirata e, em casos mais elaborados, deepfake de voz para confirmar transferências por telefone. Enviavam o comprovante adulterado ao comerciante e retiravam a mercadoria antes que o valor fosse verificado.
Oito pessoas foram presas, sendo cinco homens e três mulheres, com idades entre 22 e 41 anos. Todas responderão por estelionato qualificado e organização criminosa.
A polícia estima prejuízo de R$ 2,1 milhões em 340 operações fraudulentas registradas entre outubro de 2025 e março de 2026.
Sempre confirme o recebimento diretamente no aplicativo do banco antes de entregar mercadorias. Desconfie de comprovantes enviados por WhatsApp e nunca aceite apenas screenshot como prova de pagamento.
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Lucas Martins
Repórter
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