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quinta-feira, 02 de abril de 2026
🚔 Polícia

Polícia resgata criança de 5 anos sequestrada pelo pai em Campo Grande

Menina foi levada após audiência de custódia. Pai estava foragido há 72 horas. Resgate aconteceu em motel na saída para Sidrolândia.

Camila Ferreira6 min de leituraCampo Grande
Polícia resgata criança de 5 anos sequestrada pelo pai em Campo Grande

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul resgatou na tarde de sábado, 29 de março de 2026, uma menina de 5 anos que havia sido levada irregularmente pelo pai após uma audiência de custódia na Vara de Família de Campo Grande. A criança foi encontrada em bom estado de saúde em um motel na saída para Sidrolândia, na BR-060, onde o pai estava hospedado há 24 horas. O homem, identificado como R.C.S., 34 anos, foi preso em flagrante por descumprimento de ordem judicial e subtração de incapaz.

A cronologia do caso

O caso começou na quarta-feira, 26 de março, quando R.C.S. compareceu ao Fórum de Campo Grande para uma audiência de revisão de guarda. A mãe da criança, M.L.F., 31 anos, detém a guarda judicial exclusiva desde setembro de 2025, após decisão da 2ª Vara de Família que comprovou negligência paterna — incluindo atrasos recorrentes na pensão alimentícia e episódios de exposição da criança a situações de risco.

Na audiência, o juiz negou o pedido de guarda compartilhada apresentado por R.C.S. e manteve a visitação quinzenal supervisionada. Inconformado com a decisão, o pai aproveitou o intervalo da sessão — quando a criança brincava no corredor do fórum sob supervisão de uma assistente social — para pegar a menina e sair rapidamente do prédio. As câmeras de segurança do fórum registraram R.C.S. carregando a filha nos braços e entrando em um veículo Fiat Argo prata estacionado nas imediações.

A mãe, que percebeu a ausência da filha minutos depois, acionou imediatamente a segurança do fórum e a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). O juiz expediu mandado de busca e apreensão da criança e ordem de prisão preventiva contra o pai no mesmo dia.

A busca: 72 horas de tensão

As primeiras 72 horas após a subtração foram de intensa mobilização policial e angústia para a família materna. A DPCA montou uma força-tarefa com 8 investigadores dedicados ao caso, que atuaram em três frentes:

Rastreamento digital: A equipe de inteligência obteve autorização judicial para rastreamento do celular de R.C.S. O aparelho foi desligado às 18h de quarta-feira — 3 horas após a fuga —, mas a última célula de comunicação apontou para a região da saída sul de Campo Grande, sentido Sidrolândia/Dourados.

Câmeras de monitoramento: Imagens do sistema de videomonitoramento da antiga Guarda Municipal e de postos de combustível na BR-060 identificaram o veículo do pai às 16h42 de quarta-feira, dirigindo-se ao sul. Às 17h15, o carro foi registrado em um posto de combustível em Nova Alvorada do Sul, onde R.C.S. abasteceu e comprou alimentos.

Rede de contatos: Familiares e amigos do pai foram ouvidos pela polícia. A mãe de R.C.S. colaborou com os investigadores e revelou que o filho mencionara, em uma conversa dias antes, a possibilidade de "sumir com a menina para o Paraguai".

Na sexta-feira, dia 28, o celular de R.C.S. foi religado por 12 minutos — tempo suficiente para a equipe de inteligência captar o sinal em um motel na BR-060, km 28, na saída de Campo Grande sentido Sidrolândia. Uma equipe de policiais civis à paisana foi deslocada para verificação.

O resgate

Na tarde de sábado, 29 de março, após confirmar a presença do veículo no estacionamento do motel, a equipe da DPCA realizou a abordagem. Os policiais encontraram R.C.S. e a menina no quarto 14 do estabelecimento. A criança estava assistindo desenho animado em um tablet enquanto o pai dormia.

A delegada responsável pelo caso, Dra. Alessandra Marques, da DPCA, descreveu o momento do resgate: "Nossa prioridade era a segurança da criança. A abordagem foi feita com cautela para não traumatizá-la. A menina reconheceu os policiais, chorou pedindo pela mãe e foi imediatamente acolhida por uma psicóloga que acompanhava a equipe."

A menina foi encaminhada ao Instituto Médico Legal (IML) para exame de corpo de delito — procedimento padrão em casos de subtração — e o laudo atestou ausência de lesões físicas ou sinais de maus-tratos durante os 3 dias em que esteve com o pai.

A situação jurídica

R.C.S. foi autuado em flagrante por três crimes: subtração de incapaz (art. 249 do Código Penal, pena de 2 meses a 2 anos), descumprimento de decisão judicial (art. 330 do CP, pena de 15 dias a 6 meses) e desobediência a ordem de autoridade (art. 347 do CP). A Justiça negou pedido de liberdade provisória e o pai permanece preso no presídio Jair Ferreira de Carvalho, aguardando audiência de instrução.

O Conselho Tutelar da região do Imbirussu acompanha a família e encaminhou mãe e filha para atendimento psicológico no Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas). A psicóloga que acompanha o caso, Dra. Fabiana Torres, alertou que a subtração parental pode causar traumas significativos na criança: "A criança vive um conflito de lealdade — ama o pai, mas vivenciou uma situação de medo e ruptura. O acompanhamento terapêutico é essencial para minimizar os danos emocionais."

Subtração parental em números

O caso da menina de Campo Grande não é isolado. A subtração de incapazes — popularmente chamada de "sequestro parental" — é um problema crescente no Brasil. Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) mostram que o país registrou 4.800 casos em 2025, um aumento de 22% em relação a 2023. Em Mato Grosso do Sul, foram 68 casos no mesmo período.

A maioria dos casos envolve pais (genitores masculinos) que perdem disputas de guarda e, inconformados, retiram os filhos do convívio materno. Estudos do CNJ indicam que 78% dos casos são resolvidos em até 7 dias, mas 12% envolvem fugas interestaduais ou internacionais que se arrastam por meses ou anos.

A DPCA de Campo Grande orienta genitores em situação de risco a registrar boletim de ocorrência imediatamente ao perceber o desaparecimento da criança: "As primeiras horas são cruciais. Quanto mais rápido a polícia é acionada, maior a chance de localização rápida e segura."

Fonte: Polícia Civil MS / DPCA / Conselho Tutelar / TJ-MS

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CF

Camila Ferreira

Repórter