Polícia resgata criança de 5 anos sequestrada pelo pai em Campo Grande
Menina foi levada após audiência de custódia. Pai estava foragido há 72 horas. Resgate aconteceu em motel na saída para Sidrolândia.

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul resgatou na tarde de sábado, 29 de março de 2026, uma menina de 5 anos que havia sido levada irregularmente pelo pai após uma audiência de custódia na Vara de Família de Campo Grande. A criança foi encontrada em bom estado de saúde em um motel na saída para Sidrolândia, na BR-060, onde o pai estava hospedado há 24 horas. O homem, identificado como R.C.S., 34 anos, foi preso em flagrante por descumprimento de ordem judicial e subtração de incapaz.
A cronologia do caso
O caso começou na quarta-feira, 26 de março, quando R.C.S. compareceu ao Fórum de Campo Grande para uma audiência de revisão de guarda. A mãe da criança, M.L.F., 31 anos, detém a guarda judicial exclusiva desde setembro de 2025, após decisão da 2ª Vara de Família que comprovou negligência paterna — incluindo atrasos recorrentes na pensão alimentícia e episódios de exposição da criança a situações de risco.
Na audiência, o juiz negou o pedido de guarda compartilhada apresentado por R.C.S. e manteve a visitação quinzenal supervisionada. Inconformado com a decisão, o pai aproveitou o intervalo da sessão — quando a criança brincava no corredor do fórum sob supervisão de uma assistente social — para pegar a menina e sair rapidamente do prédio. As câmeras de segurança do fórum registraram R.C.S. carregando a filha nos braços e entrando em um veículo Fiat Argo prata estacionado nas imediações.
A mãe, que percebeu a ausência da filha minutos depois, acionou imediatamente a segurança do fórum e a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). O juiz expediu mandado de busca e apreensão da criança e ordem de prisão preventiva contra o pai no mesmo dia.
A busca: 72 horas de tensão
As primeiras 72 horas após a subtração foram de intensa mobilização policial e angústia para a família materna. A DPCA montou uma força-tarefa com 8 investigadores dedicados ao caso, que atuaram em três frentes:
Rastreamento digital: A equipe de inteligência obteve autorização judicial para rastreamento do celular de R.C.S. O aparelho foi desligado às 18h de quarta-feira — 3 horas após a fuga —, mas a última célula de comunicação apontou para a região da saída sul de Campo Grande, sentido Sidrolândia/Dourados.
Câmeras de monitoramento: Imagens do sistema de videomonitoramento da antiga Guarda Municipal e de postos de combustível na BR-060 identificaram o veículo do pai às 16h42 de quarta-feira, dirigindo-se ao sul. Às 17h15, o carro foi registrado em um posto de combustível em Nova Alvorada do Sul, onde R.C.S. abasteceu e comprou alimentos.
Rede de contatos: Familiares e amigos do pai foram ouvidos pela polícia. A mãe de R.C.S. colaborou com os investigadores e revelou que o filho mencionara, em uma conversa dias antes, a possibilidade de "sumir com a menina para o Paraguai".
Na sexta-feira, dia 28, o celular de R.C.S. foi religado por 12 minutos — tempo suficiente para a equipe de inteligência captar o sinal em um motel na BR-060, km 28, na saída de Campo Grande sentido Sidrolândia. Uma equipe de policiais civis à paisana foi deslocada para verificação.
O resgate
Na tarde de sábado, 29 de março, após confirmar a presença do veículo no estacionamento do motel, a equipe da DPCA realizou a abordagem. Os policiais encontraram R.C.S. e a menina no quarto 14 do estabelecimento. A criança estava assistindo desenho animado em um tablet enquanto o pai dormia.
A delegada responsável pelo caso, Dra. Alessandra Marques, da DPCA, descreveu o momento do resgate: "Nossa prioridade era a segurança da criança. A abordagem foi feita com cautela para não traumatizá-la. A menina reconheceu os policiais, chorou pedindo pela mãe e foi imediatamente acolhida por uma psicóloga que acompanhava a equipe."
A menina foi encaminhada ao Instituto Médico Legal (IML) para exame de corpo de delito — procedimento padrão em casos de subtração — e o laudo atestou ausência de lesões físicas ou sinais de maus-tratos durante os 3 dias em que esteve com o pai.
A situação jurídica
R.C.S. foi autuado em flagrante por três crimes: subtração de incapaz (art. 249 do Código Penal, pena de 2 meses a 2 anos), descumprimento de decisão judicial (art. 330 do CP, pena de 15 dias a 6 meses) e desobediência a ordem de autoridade (art. 347 do CP). A Justiça negou pedido de liberdade provisória e o pai permanece preso no presídio Jair Ferreira de Carvalho, aguardando audiência de instrução.
O Conselho Tutelar da região do Imbirussu acompanha a família e encaminhou mãe e filha para atendimento psicológico no Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas). A psicóloga que acompanha o caso, Dra. Fabiana Torres, alertou que a subtração parental pode causar traumas significativos na criança: "A criança vive um conflito de lealdade — ama o pai, mas vivenciou uma situação de medo e ruptura. O acompanhamento terapêutico é essencial para minimizar os danos emocionais."
Subtração parental em números
O caso da menina de Campo Grande não é isolado. A subtração de incapazes — popularmente chamada de "sequestro parental" — é um problema crescente no Brasil. Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) mostram que o país registrou 4.800 casos em 2025, um aumento de 22% em relação a 2023. Em Mato Grosso do Sul, foram 68 casos no mesmo período.
A maioria dos casos envolve pais (genitores masculinos) que perdem disputas de guarda e, inconformados, retiram os filhos do convívio materno. Estudos do CNJ indicam que 78% dos casos são resolvidos em até 7 dias, mas 12% envolvem fugas interestaduais ou internacionais que se arrastam por meses ou anos.
A DPCA de Campo Grande orienta genitores em situação de risco a registrar boletim de ocorrência imediatamente ao perceber o desaparecimento da criança: "As primeiras horas são cruciais. Quanto mais rápido a polícia é acionada, maior a chance de localização rápida e segura."
Fonte: Polícia Civil MS / DPCA / Conselho Tutelar / TJ-MS
❓ Perguntas Frequentes
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Como evitar casos de subtração parental?
Camila Ferreira
Repórter
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