Dourados entrega 1.200 casas do Minha Casa Minha Vida e anuncia mais 800
Conjunto habitacional no Jardim Água Boa beneficia famílias com renda de até R$ 2.640. Prestação de R$ 80 a R$ 350 conforme faixa.

A prefeitura de Dourados entregou na quinta-feira, 26 de fevereiro, as chaves de 1.200 casas do programa Minha Casa Minha Vida no Conjunto Habitacional Jardim Água Boa II, na zona sul da cidade. As unidades atendem famílias com renda mensal de até R$ 2.640 (Faixa 1) e de R$ 2.640 a R$ 4.400 (Faixa 2). As prestações variam de R$ 80 a R$ 350 por mês, conforme a renda.
O prefeito Marçal Filho anunciou no mesmo evento a contratação de mais 800 unidades no bairro Jardim Guaicurus, com previsão de entrega em 2028. O investimento total das duas etapas é de R$ 284 milhões, com recursos do FAR (Fundo de Arrendamento Residencial) e financiamento da Caixa.
As casas e a infraestrutura
Cada unidade tem 44 m², com 2 quartos, sala, cozinha, banheiro e área de serviço. O terreno é de 150 m², com espaço para ampliação futura. As casas são de alvenaria com laje, piso cerâmico e instalação para aquecedor solar (o equipamento não vem incluso).
O conjunto tem ruas asfaltadas, rede de esgoto, água tratada, iluminação pública LED, 2 praças com playground, 1 quadra poliesportiva e 1 creche municipal com 120 vagas (inauguração prevista para junho). O ponto de ônibus mais próximo fica a 400 metros da entrada do conjunto.
"Eu morava de aluguel no centro, pagava R$ 900 por mês. Agora pago R$ 80 de prestação. A diferença de R$ 820 é comida na mesa dos meus filhos", disse Rosana Aparecida, 32 anos, mãe de 3 crianças, uma das primeiras a receber as chaves.
A cerimônia de entrega reuniu 3 mil pessoas no ginásio do conjunto. Famílias choravam ao receber o envelope com a chave e o contrato. Crianças corriam entre as casas novas. Um senhor de 68 anos, Seu Joaquim, ajoelhou na porta da casa e beijou o chão. "Sessenta e oito anos pra ter casa própria. Valeu a espera."
O déficit habitacional de Dourados
Dourados tem déficit habitacional de 8.400 unidades, segundo estudo da Fundação João Pinheiro atualizado em 2025. As 1.200 casas entregues reduzem o déficit em 14,3%. Com as 800 contratadas, a redução chegará a 23,8%.
O perfil das famílias beneficiadas: 78% são chefiadas por mulheres, 62% têm renda de até 1 salário mínimo, 84% moravam de aluguel ou em situação de coabitação (dividindo casa com parentes).
A seleção foi feita pela Caixa Econômica Federal com base no CadÚnico, priorizando famílias com idosos, pessoas com deficiência, mulheres vítimas de violência doméstica e moradores de áreas de risco.
"A fila de espera tinha 6.200 famílias inscritas. Atendemos 1.200. Sobraram 5 mil. Cada entrega é uma alegria e uma frustração — alegria pra quem recebe, frustração pra quem continua esperando", reconheceu a secretária de Habitação, Márcia Alves.
Críticas e desafios
O conjunto fica a 8 km do centro de Dourados. Moradores reclamam da distância e da falta de comércio e serviços no entorno. "A casa é boa, mas não tem padaria, não tem farmácia, não tem mercado perto. Pra comprar pão, precisa pegar ônibus", disse José Carlos, 45 anos, pedreiro.
A linha de ônibus que atende o conjunto tem frequência de 40 minutos nos horários de pico e 1 hora fora do pico. A viagem até o centro leva 35 minutos. Moradores pedem mais horários e uma linha expressa.
A UBS mais próxima fica a 2,5 km. A prefeitura prometeu construir um posto de saúde dentro do conjunto até dezembro de 2026, com investimento de R$ 3,2 milhões.
O vereador Elias Ishy cobrou mais infraestrutura. "Entregar casa sem escola, sem posto de saúde e sem transporte decente é criar gueto. A gente precisa entregar bairro, não só casa."
O cenário estadual
MS tem déficit habitacional de 62 mil unidades, segundo a Fundação João Pinheiro. Campo Grande concentra 28 mil (45%). Dourados, 8.400 (13,5%). Três Lagoas, 4.200 (6,8%). Corumbá, 3.800 (6,1%).
O governo estadual complementa o MCMV com o programa MS Morada, que oferece subsídio de R$ 15 mil para famílias de Faixa 1 que compram imóvel pelo programa federal. O subsídio é usado para acabamento, mobília ou quitação de parcelas.
Em 2025, MS entregou 4.800 unidades do MCMV — o maior número em um único ano. Para 2026, a meta é 6.200 unidades, com investimento total de R$ 1,1 bilhão.
No Jardim Água Boa II, ao anoitecer, as luzes das casas novas se acenderam uma a uma. Pela primeira vez, 1.200 famílias dormiriam em casa própria. Rosana colocou os filhos pra dormir no quarto novo — sem colchão ainda, só com cobertores no chão. "Amanhã a gente compra colchão. Hoje, o chão da minha casa já é o lugar mais macio do mundo."
O déficit habitacional de Dourados
O programa é uma resposta ao déficit habitacional de Dourados — estimado em 5.200 moradias pela Fundação João Pinheiro, considerando famílias em coabitação, aluguel excessivo (mais de 30% da renda) e condições precárias. As 1.200 unidades do programa atenderão 23% do déficit — um avanço significativo, mas que demonstra a necessidade de ações continuadas e de longo prazo. A preferência de localização é por terrenos com infraestrutura urbana próxima — escolas, UBS, transporte público — para evitar a criação de bairros-dormitório isolados que caracterizaram programas habitacionais anteriores.
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💰 Habitação popular em Dourados
Unidades a construir
1.200
Investimento total
R$ 174 milhões
Subsídio máximo/família
R$ 55 mil
Prestação mínima
R$ 250/mês
Fonte: Prefeitura de Dourados / Caixa Econômica Federal / Ministério das Cidades
❓ Perguntas Frequentes
🗳️ Enquete
O Minha Casa Minha Vida resolve o déficit habitacional?
Patrícia Souza
Repórter
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