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quinta-feira, 02 de abril de 2026
🏙️ Cidades

DNIT inicia duplicação de 48 km da BR-267 entre Jardim e Guia Lopes da Laguna

Obra de R$ 312 milhões melhora acesso a Bonito e à Rota Bioceânica. Prazo de 30 meses. Trecho registra 12 mortes por ano em acidentes.

Marcos Vinícius Borges6 min de leituraJardim
DNIT inicia duplicação de 48 km da BR-267 entre Jardim e Guia Lopes da Laguna

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) iniciou na segunda-feira, 24 de fevereiro de 2026, as obras de duplicação de 48 quilômetros da BR-267 no trecho entre os municípios de Jardim e Guia Lopes da Laguna, no sudoeste de Mato Grosso do Sul. O investimento é de R$ 312 milhões, com recursos do Novo PAC, e o prazo contratual para conclusão é de 30 meses. A obra é considerada estratégica por melhorar o acesso ao polo turístico de Bonito e integrar a Rota Bioceânica, corredor logístico que conectará o Brasil ao Oceano Pacífico.

O trecho mais perigoso da região

O segmento de 48 km entre Jardim e Guia Lopes da Laguna é classificado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) como um dos mais perigosos de Mato Grosso do Sul. Nos últimos cinco anos, o trecho registrou 384 acidentes, resultando em 60 mortes e 335 feridos — uma média de 12 óbitos e 67 feridos por ano.

A principal causa dos acidentes é a ultrapassagem em pista simples, responsável por 78% das colisões frontais fatais. A rodovia, inaugurada nos anos 1970 como pista simples de mão dupla, nunca foi adequada ao volume de tráfego atual — estimado em 8.200 veículos por dia, sendo 32% caminhões e carretas que transportam grãos, celulose e gado.

Indicador Antes da duplicação Projeção pós-obra
Volume diário 8.200 veículos 12.000 veículos
Acidentes/ano 76 30 (estimativa)
Mortes/ano 12 5 (estimativa)
Tempo Jardim-Guia Lopes 42 minutos 25 minutos
Velocidade operacional 80 km/h 100 km/h
Capacidade da via Saturada Folga de 40%

"Cada morte nesta rodovia é evitável com infraestrutura adequada. A duplicação elimina o fator que mais mata: a ultrapassagem forçada em pista simples", afirmou o superintendente do DNIT em MS, engenheiro Paulo Henrique Campos, durante a solenidade de início das obras.

Escopo técnico da obra

A duplicação contempla a construção de uma segunda faixa de rolamento em toda a extensão do trecho, com largura de 3,60 metros por faixa, acostamentos de 2,50 metros, canteiro central de 12 metros com barreira tipo New Jersey nos segmentos de serra e iluminação LED nos trevos e acessos urbanos.

O projeto inclui também a construção de 4 viadutos sobre cruzamentos com estradas vicinais, 2 passarelas para pedestres nos acessos de Jardim e Guia Lopes, 6 retornos em nível e um sistema de drenagem profunda para evitar alagamentos nos trechos de planície — problema recorrente no período chuvoso que causa interdições frequentes da rodovia.

Na travessia urbana de Guia Lopes da Laguna, a obra prevê a implantação de uma marginal de acesso local, separando o tráfego urbano do rodoviário. A medida atende a uma reivindicação antiga da prefeitura, que registra alta incidência de atropelamentos no trecho que corta a cidade.

O impacto no turismo de Bonito

A duplicação da BR-267 tem impacto direto no turismo de Bonito, destino que recebeu 412 mil visitantes em 2025 e é o principal polo de ecoturismo de Mato Grosso do Sul. A maioria dos turistas que chegam a Bonito por via terrestre utiliza a BR-267, vindo de Campo Grande (297 km) ou de São Paulo (1.080 km).

O Conselho Municipal de Turismo de Bonito estima que a duplicação pode aumentar o fluxo de turistas em até 18% nos primeiros dois anos após a conclusão, pela melhoria no conforto e na segurança da viagem. "Muitos turistas desistem de vir a Bonito por medo da estrada, especialmente no trecho de serra. Uma rodovia duplicada muda completamente a percepção", disse o presidente do Conselho, Luis Fernando Almeida.

O setor hoteleiro de Bonito já antecipa o impacto: três novos hotéis estão em construção na cidade, somando 280 unidades habitacionais, com inauguração prevista entre 2027 e 2028 — coincidindo com a entrega da primeira fase da duplicação.

A conexão com a Rota Bioceânica

A BR-267 é um dos eixos rodoviários da Rota Bioceânica, corredor logístico que conectará o centro-oeste brasileiro ao Oceano Pacífico passando por Porto Murtinho (MS), Carmelo Peralta (Paraguai), Jujuy (Argentina) e portos chilenos de Iquique e Antofagasta.

A rota, em fase avançada de implantação, é considerada a principal alternativa logística para a exportação de grãos, celulose e carne bovina do Brasil para os mercados asiáticos, com economia estimada de 25% no custo de frete em relação à rota atual pelos portos de Santos e Paranaguá.

"A duplicação da BR-267 é uma peça fundamental do quebra-cabeça da Rota Bioceânica. Não adianta ter uma ponte internacional em Porto Murtinho se a rodovia que leva até lá é uma pista simples congestionada", enfatizou o secretário de Infraestrutura de MS, engenheiro Ricardo Senna.

O DNIT informou que a obra será executada em duas fases: a primeira fase (24 km, do trevo de Jardim ao rio Miranda) tem previsão de entrega em dezembro de 2027; a segunda fase (24 km, do rio Miranda a Guia Lopes) será concluída até agosto de 2028.

Impacto durante as obras

O DNIT implantará um esquema de meia-pista com sinalização eletrônica e operadores de tráfego (pare-siga) nos segmentos em obra. Os motoristas devem esperar atrasos de 10 a 20 minutos em horários de pico. A PRF reforçará o patrulhamento no trecho durante todo o período de obras, com fiscalização especial de velocidade e ultrapassagens irregulares.

A construtora responsável — o consórcio Servipar/Cowan, vencedor da licitação com proposta de R$ 298 milhões (4,5% abaixo do orçamento máximo de R$ 312 milhões) — montará canteiro central no km 522 e manterá equipe de 380 trabalhadores no pico das obras, com previsão de contratação local de pelo menos 60% da mão de obra.

O DNIT disponibilizará informações sobre interdições e desvios pelo aplicativo "Rodovias do Brasil" e pelo telefone 0800-611-2266. A PRF manterá boletins diários sobre as condições de tráfego no trecho em seu perfil oficial nas redes sociais.

💰 O que a duplicação muda para quem trafega na BR-267

1

Investimento total na obra

R$ 312 milhões

2

Redução estimada de acidentes

60% menos mortes

3

Economia de tempo na viagem

25 minutos

4

Custo por km duplicado

R$ 6,5 milhões/km

Fonte: DNIT / Governo de MS / PRF

❓ Perguntas Frequentes

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#BR-267#duplicação#Jardim#Guia Lopes#Bonito#DNIT#rodovia
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MV

Marcos Vinícius Borges

Repórter