DNIT inicia duplicação de 48 km da BR-267 entre Jardim e Guia Lopes da Laguna
Obra de R$ 312 milhões melhora acesso a Bonito e à Rota Bioceânica. Prazo de 30 meses. Trecho registra 12 mortes por ano em acidentes.

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) iniciou na segunda-feira, 24 de fevereiro de 2026, as obras de duplicação de 48 quilômetros da BR-267 no trecho entre os municípios de Jardim e Guia Lopes da Laguna, no sudoeste de Mato Grosso do Sul. O investimento é de R$ 312 milhões, com recursos do Novo PAC, e o prazo contratual para conclusão é de 30 meses. A obra é considerada estratégica por melhorar o acesso ao polo turístico de Bonito e integrar a Rota Bioceânica, corredor logístico que conectará o Brasil ao Oceano Pacífico.
O trecho mais perigoso da região
O segmento de 48 km entre Jardim e Guia Lopes da Laguna é classificado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) como um dos mais perigosos de Mato Grosso do Sul. Nos últimos cinco anos, o trecho registrou 384 acidentes, resultando em 60 mortes e 335 feridos — uma média de 12 óbitos e 67 feridos por ano.
A principal causa dos acidentes é a ultrapassagem em pista simples, responsável por 78% das colisões frontais fatais. A rodovia, inaugurada nos anos 1970 como pista simples de mão dupla, nunca foi adequada ao volume de tráfego atual — estimado em 8.200 veículos por dia, sendo 32% caminhões e carretas que transportam grãos, celulose e gado.
| Indicador | Antes da duplicação | Projeção pós-obra |
|---|---|---|
| Volume diário | 8.200 veículos | 12.000 veículos |
| Acidentes/ano | 76 | 30 (estimativa) |
| Mortes/ano | 12 | 5 (estimativa) |
| Tempo Jardim-Guia Lopes | 42 minutos | 25 minutos |
| Velocidade operacional | 80 km/h | 100 km/h |
| Capacidade da via | Saturada | Folga de 40% |
"Cada morte nesta rodovia é evitável com infraestrutura adequada. A duplicação elimina o fator que mais mata: a ultrapassagem forçada em pista simples", afirmou o superintendente do DNIT em MS, engenheiro Paulo Henrique Campos, durante a solenidade de início das obras.
Escopo técnico da obra
A duplicação contempla a construção de uma segunda faixa de rolamento em toda a extensão do trecho, com largura de 3,60 metros por faixa, acostamentos de 2,50 metros, canteiro central de 12 metros com barreira tipo New Jersey nos segmentos de serra e iluminação LED nos trevos e acessos urbanos.
O projeto inclui também a construção de 4 viadutos sobre cruzamentos com estradas vicinais, 2 passarelas para pedestres nos acessos de Jardim e Guia Lopes, 6 retornos em nível e um sistema de drenagem profunda para evitar alagamentos nos trechos de planície — problema recorrente no período chuvoso que causa interdições frequentes da rodovia.
Na travessia urbana de Guia Lopes da Laguna, a obra prevê a implantação de uma marginal de acesso local, separando o tráfego urbano do rodoviário. A medida atende a uma reivindicação antiga da prefeitura, que registra alta incidência de atropelamentos no trecho que corta a cidade.
O impacto no turismo de Bonito
A duplicação da BR-267 tem impacto direto no turismo de Bonito, destino que recebeu 412 mil visitantes em 2025 e é o principal polo de ecoturismo de Mato Grosso do Sul. A maioria dos turistas que chegam a Bonito por via terrestre utiliza a BR-267, vindo de Campo Grande (297 km) ou de São Paulo (1.080 km).
O Conselho Municipal de Turismo de Bonito estima que a duplicação pode aumentar o fluxo de turistas em até 18% nos primeiros dois anos após a conclusão, pela melhoria no conforto e na segurança da viagem. "Muitos turistas desistem de vir a Bonito por medo da estrada, especialmente no trecho de serra. Uma rodovia duplicada muda completamente a percepção", disse o presidente do Conselho, Luis Fernando Almeida.
O setor hoteleiro de Bonito já antecipa o impacto: três novos hotéis estão em construção na cidade, somando 280 unidades habitacionais, com inauguração prevista entre 2027 e 2028 — coincidindo com a entrega da primeira fase da duplicação.
A conexão com a Rota Bioceânica
A BR-267 é um dos eixos rodoviários da Rota Bioceânica, corredor logístico que conectará o centro-oeste brasileiro ao Oceano Pacífico passando por Porto Murtinho (MS), Carmelo Peralta (Paraguai), Jujuy (Argentina) e portos chilenos de Iquique e Antofagasta.
A rota, em fase avançada de implantação, é considerada a principal alternativa logística para a exportação de grãos, celulose e carne bovina do Brasil para os mercados asiáticos, com economia estimada de 25% no custo de frete em relação à rota atual pelos portos de Santos e Paranaguá.
"A duplicação da BR-267 é uma peça fundamental do quebra-cabeça da Rota Bioceânica. Não adianta ter uma ponte internacional em Porto Murtinho se a rodovia que leva até lá é uma pista simples congestionada", enfatizou o secretário de Infraestrutura de MS, engenheiro Ricardo Senna.
O DNIT informou que a obra será executada em duas fases: a primeira fase (24 km, do trevo de Jardim ao rio Miranda) tem previsão de entrega em dezembro de 2027; a segunda fase (24 km, do rio Miranda a Guia Lopes) será concluída até agosto de 2028.
Impacto durante as obras
O DNIT implantará um esquema de meia-pista com sinalização eletrônica e operadores de tráfego (pare-siga) nos segmentos em obra. Os motoristas devem esperar atrasos de 10 a 20 minutos em horários de pico. A PRF reforçará o patrulhamento no trecho durante todo o período de obras, com fiscalização especial de velocidade e ultrapassagens irregulares.
A construtora responsável — o consórcio Servipar/Cowan, vencedor da licitação com proposta de R$ 298 milhões (4,5% abaixo do orçamento máximo de R$ 312 milhões) — montará canteiro central no km 522 e manterá equipe de 380 trabalhadores no pico das obras, com previsão de contratação local de pelo menos 60% da mão de obra.
O DNIT disponibilizará informações sobre interdições e desvios pelo aplicativo "Rodovias do Brasil" e pelo telefone 0800-611-2266. A PRF manterá boletins diários sobre as condições de tráfego no trecho em seu perfil oficial nas redes sociais.
💰 O que a duplicação muda para quem trafega na BR-267
Investimento total na obra
R$ 312 milhões
Redução estimada de acidentes
60% menos mortes
Economia de tempo na viagem
25 minutos
Custo por km duplicado
R$ 6,5 milhões/km
Fonte: DNIT / Governo de MS / PRF
❓ Perguntas Frequentes
🗳️ Enquete
Qual trecho rodoviário de MS é mais urgente duplicar?
Marcos Vinícius Borges
Repórter
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