Soja de MS bate recorde de exportação para a China em março e cotação da saca ultrapassa R$ 145
Embarques somam 4,2 milhões de toneladas no primeiro trimestre. Câmbio favorável e demanda chinesa impulsionam receita dos produtores sul-mato-grossenses.

A soja produzida em Mato Grosso do Sul alcançou recorde de exportação para a China no mês de março de 2026, consolidando o estado como um dos principais fornecedores do grão para o mercado asiático. Dados preliminares do Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, apontam que os embarques do estado para o mercado chinês totalizaram 1,8 milhão de toneladas no mês, volume 31% superior ao registrado em março de 2025.
No acumulado do primeiro trimestre, MS exportou 4,2 milhões de toneladas de soja para a China, crescimento de 23% em relação ao mesmo período do ano passado. A receita gerada pelos embarques ultrapassou US$ 1,9 bilhão nos três primeiros meses do ano — equivalente a R$ 10,07 bilhões ao câmbio médio do período —, reforçando a posição do grão como principal produto de exportação do estado, responsável por 42% de toda a pauta exportadora sul-mato-grossense.
Cotações em alta
A conjuntura internacional favorável se reflete diretamente no bolso dos produtores. A saca de 60 kg de soja ultrapassou a marca de R$ 145 nas principais praças de comercialização do estado na última semana de março, maior cotação nominal desde setembro de 2022. Em Dourados, principal polo produtivo, a saca foi negociada a R$ 147,50 no mercado disponível. Em Chapadão do Sul, o preço alcançou R$ 146,80, e em São Gabriel do Oeste, R$ 145,20.
| Praça | Preço saca (R$) | Variação mensal |
|---|---|---|
| Dourados | 147,50 | +8,2% |
| Chapadão do Sul | 146,80 | +7,9% |
| São Gabriel do Oeste | 145,20 | +7,5% |
| Maracaju | 146,00 | +8,0% |
| Ponta Porã | 144,90 | +7,3% |
A valorização é sustentada por três fatores convergentes: a desvalorização do real frente ao dólar, que torna a soja brasileira mais competitiva no mercado internacional; a intensificação das tensões comerciais entre China e Estados Unidos, que redirecionaram parte da demanda chinesa para fornecedores sul-americanos; e a frustração da safra argentina, afetada por seca severa que reduziu a produção do país vizinho em estimados 15%.
Safra recorde no estado
A Federação de Agricultura e Pecuária de MS (FAMASUL) projeta colheita recorde de 14,8 milhões de toneladas de soja na safra 2025/2026, volume 6,5% superior ao ciclo anterior. A produtividade média estadual é estimada em 58 sacas por hectare, beneficiada pelo regime regular de chuvas que prevaleceu entre novembro e fevereiro, período crítico do desenvolvimento vegetativo e do enchimento dos grãos.
O superintendente técnico da FAMASUL destacou que o desempenho produtivo reflete a adoção crescente de tecnologias de agricultura de precisão pelos produtores sul-mato-grossenses. "O produtor de MS investiu pesado em sementes de alto potencial genético, manejo integrado de pragas com monitoramento por drones e irrigação suplementar. Essa combinação de tecnologia com clima favorável resulta em produtividades que colocam MS entre os estados mais eficientes do Brasil na cultura da soja", analisou.
A colheita no estado está 85% concluída, com destaque para os municípios de Maracaju (92% colhido), Ponta Porã (88%) e Dourados (86%). As regiões de Chapadão do Sul e Costa Rica, que plantaram ligeiramente mais tarde, devem finalizar a colheita até meados de abril.
Logística e escoamento
O aumento do volume exportado pressiona a infraestrutura logística de escoamento. O corredor exportador de MS utiliza predominantemente o transporte rodoviário até os portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR), com custos de frete que consumiram em média 18% do valor da saca na safra atual — percentual inferior aos 22% registrados em 2025, graças à queda no preço do diesel e à maior oferta de caminhões disponíveis.
A Rota Bioceânica, que conectará MS ao Pacífico via Porto Murtinho e portos chilenos, é apontada pela FAMASUL como potencial revolucionário para a logística da soja. "Quando a rota estiver plenamente operacional, o frete para o mercado asiático pode cair até 25%, tornando a soja de MS ainda mais competitiva", projetou o diretor de comércio exterior da federação.
A operação de transporte por barcaças no Rio Paraná, que escoa soja de MS até terminais portuários no Paraná, registrou crescimento de 15% no volume transportado no primeiro trimestre. A hidrovia é considerada a alternativa logística mais econômica disponível atualmente, com custo por tonelada 40% inferior ao rodoviário.
Perspectivas para o segundo trimestre
Analistas de mercado ouvidos pela reportagem projetam manutenção do cenário favorável para a soja de MS ao longo do segundo trimestre, sustentado pela demanda chinesa consistente e pela expectativa de que o câmbio permaneça em patamares elevados. A saca pode alcançar R$ 155 até maio, caso as tensões comerciais globais se intensifiquem e a safra norte-americana — cujo plantio começa em abril — enfrente adversidades climáticas.
A FAMASUL orienta os produtores a fixar preços gradualmente, aproveitando as cotações elevadas para garantir margens de rentabilidade, mas mantendo parcela da produção sem compromisso para capturar eventuais picos adicionais. "O mercado está volátil, mas a tendência é de alta. O produtor que diversificou a estratégia de comercialização — vendeu parte antecipada, parte na colheita e deixou parte para o mercado futuro — está conseguindo as melhores margens da história recente", avaliou o economista-chefe da entidade.
Fonte: FAMASUL / Comex Stat
❓ Perguntas Frequentes
1,8 milhão de toneladas somente em março, totalizando 4,2 milhões no primeiro trimestre de 2026, crescimento de 23% sobre o mesmo período de 2025.
A saca de 60kg ultrapassou R$ 145 na última semana de março, maior valor nominal desde setembro de 2022.
Tensões comerciais com os EUA, safra argentina reduzida por seca e crescimento da demanda por ração animal no mercado chinês impulsionam as compras.
A FAMASUL projeta 14,8 milhões de toneladas, recorde estadual, com produtividade média de 58 sacas por hectare.
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O agronegócio de MS deveria diversificar mais ou intensificar a soja?
Ricardo Almeida
Repórter
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