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quinta-feira, 02 de abril de 2026
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Trem cargueiro descarrila em Três Lagoas e bloqueia malha ferroviária por 18 horas

Composição da Rumo com 84 vagões tombou no km 428. Derramamento de milho em área de preservação. Sem vítimas. Prejuízo estimado em R$ 8 milhões.

Camila Ferreira6 min de leituraTrês Lagoas
Trem cargueiro descarrila em Três Lagoas e bloqueia malha ferroviária por 18 horas

Uma composição ferroviária de carga da Rumo Logística com 84 vagões e 3 locomotivas descarrilou na madrugada de segunda-feira, 10 de março de 2026, no km 428 da malha ferroviária paulista (trecho operado em MS), nas proximidades de Três Lagoas. O acidente resultou no tombamento de 18 vagões carregados com milho, no derramamento de aproximadamente 320 toneladas de grãos sobre uma área de preservação permanente e no bloqueio total da via por 18 horas — causando atrasos em 12 composições que transportavam celulose e soja para o Porto de Santos.

A dinâmica do acidente

O descarrilamento ocorreu às 2h40 da madrugada, quando a composição trafegava a 45 km/h — velocidade dentro do limite operacional para o trecho. Segundo o relato do maquinista, C.A.S., 42 anos, a locomotiva líder "saltou violentamente" ao passar por um ponto da via, seguida pelo tombo sequencial dos 18 vagões imediatamente atrás.

O maquinista e o auxiliar de maquinista conseguiram saltar da cabine da locomotiva antes do tombamento completo e sofreram apenas escoriações leves, sendo atendidos pela equipe de socorristas da própria Rumo e posteriormente liberados. Não havia outros ocupantes na composição.

A locomotiva líder e as vagões 1 a 18 tombaram lateralmente sobre o talude da ferrovia, espalhando a carga de milho sobre uma faixa de aproximadamente 400 metros de extensão. Os 66 vagões traseiros permaneceram nos trilhos, mas a composição ficou completamente imobilizada.

Detalhe do acidente Valor
Horário 02h40 (10/03/2026)
Local Km 428 da malha ferroviária
Composição 3 locomotivas + 84 vagões
Vagões tombados 18
Carga Milho (safra MS para exportação)
Carga derramada ~320 toneladas
Velocidade no momento 45 km/h
Tempo de bloqueio 18 horas
Vítimas Nenhuma fatal; 2 escoriações leves

A causa investigada

A ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) e a equipe de engenharia da Rumo iniciaram investigação no local ainda na madrugada. A análise preliminar identificou uma falha estrutural em um trilho da via permanente — especificamente, uma fratura por fadiga no patim (base) do trilho, possivelmente agravada pela erosão do lastro (camada de pedra britada sob os trilhos) causada por chuvas intensas nas semanas anteriores.

O trecho onde ocorreu o descarrilamento é classificado como "via classe 3" — o que significa que suporta velocidades de até 60 km/h com cargas de 30 toneladas por eixo. A última inspeção registrada pela Rumo no ponto exato do acidente foi realizada em 14 de dezembro de 2025 — 86 dias antes do descarrilamento.

A frequência de inspeção recomendada pela ANTT para vias classe 3 com alto volume de tráfego é trimestral (a cada 90 dias). A Rumo estava, portanto, dentro do prazo regulamentar, mas a ANTT avalia se o volume de chuvas atípico não deveria ter motivado inspeções extraordinárias.

O impacto ambiental

O derramamento de 320 toneladas de milho sobre área de preservação permanente (APP) na margem de um córrego afluente do rio Sucuriú é classificado como dano ambiental de média gravidade. O milho úmido, ao entrar em decomposição, consome oxigênio da água e pode causar eutrofização — proliferação de algas que reduz o oxigênio dissolvido e mata a fauna aquática.

O Imasul (Instituto de Meio Ambiente de MS) instaurou procedimento administrativo contra a Rumo e exigiu um plano de remediação ambiental em 72 horas. A empresa mobilizou equipe de 60 trabalhadores com retroescavadeiras e caminhões para retirar o milho derramado, trabalho que levou 5 dias para ser concluído.

A multa ambiental estimada varia de R$ 5 mil a R$ 50 milhões, dependendo da extensão do dano verificado pelo Imasul nos próximos meses. A Rumo informou que "está cooperando integralmente com os órgãos ambientais e custeará todas as medidas de remediação necessárias".

O impacto logístico

O bloqueio da via por 18 horas causou efeito cascata em toda a cadeia logística de exportação de MS. A ferrovia operada pela Rumo é o principal corredor de escoamento de grãos e celulose do estado para o Porto de Santos — responsável por 62% das exportações de MS.

Doze composições que aguardavam passagem pelo trecho ficaram retidas nos pátios ferroviários de Três Lagoas e Aparecida do Taboado, com carga total estimada de 48 mil toneladas (celulose, soja e milho). O atraso médio de entrega no porto foi de 36 horas, gerando custos extras de armazenagem e reprogramação de navios.

A Aprosoja-MS calculou que o descarrilamento causou prejuízo logístico indireto de aproximadamente R$ 2,4 milhões — somando demurrage (multa por atraso de navio), armazenagem extra no porto e reprogramação de contratos de transporte. O prejuízo direto da Rumo (vagões, trilhos, locomotiva, carga e remediação ambiental) é estimado em R$ 5,6 milhões.

Segurança ferroviária em MS

O descarrilamento de Três Lagoas é o 4º acidente ferroviário em Mato Grosso do Sul nos últimos 12 meses — somando-se a descarrilamentos menores em Aparecida do Taboado (julho 2025), Chapadão do Sul (outubro 2025) e Ribas do Rio Pardo (janeiro 2026). Nenhum resultou em vítimas fatais, mas todos causaram bloqueios temporários da via e prejuízos econômicos.

A ANTT fiscaliza a concessionária Rumo Logística com base no contrato de concessão renovado em 2021, que exige investimentos mínimos anuais em manutenção da via permanente. A agência declarou que solicitará à Rumo relatório detalhado sobre o estado de conservação de toda a malha em MS e o cumprimento do programa de manutenção preventiva pactuado.

💰 O custo do descarrilamento

1

Prejuízo total estimado

R$ 8 milhões

2

Vagões tombados

18 de 84

3

Milho derramado

320 toneladas

4

Composições atrasadas

12 trens

Fonte: Rumo Logística / ANTT / Corpo de Bombeiros / Imasul

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O que deveria ser prioridade na malha ferroviária de MS?

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Camila Ferreira

Repórter