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quinta-feira, 02 de abril de 2026
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Incêndio destrói depósito de reciclagem no Polo Empresarial de Campo Grande

Fogo consumiu 2 mil m² de material reciclável na madrugada de sábado. Bombeiros levaram 8 horas para controlar. Ninguém ficou ferido.

Camila Ferreira5 min de leituraCampo Grande
Incêndio destrói depósito de reciclagem no Polo Empresarial de Campo Grande

Um incêndio de grandes proporções destruiu um depósito de material reciclável no Polo Empresarial Oeste de Campo Grande na madrugada de sábado, 7 de março de 2026. O fogo começou por volta das 2h30 e consumiu 2 mil m² de galpão com papelão, plástico, alumínio e ferro. O Corpo de Bombeiros mobilizou 6 viaturas e 28 bombeiros. O controle total das chamas levou 8 horas. Ninguém ficou ferido — o depósito estava fechado no momento do incêndio.

A coluna de fumaça negra era visível a 10 km de distância. Moradores dos bairros Panamá e Tiradentes, a 3 km do local, relataram cheiro forte de plástico queimado e cinzas caindo nos quintais.

O combate ao fogo

A primeira viatura chegou ao local 12 minutos após o acionamento. O galpão já estava totalmente tomado pelas chamas. O material reciclável — principalmente fardos de papelão e garrafas PET — é altamente inflamável e gerou calor intenso, dificultando a aproximação.

Dado do combate Valor
Hora do acionamento 02h32
Chegada da 1ª viatura 02h44 (12 minutos)
Viaturas mobilizadas 6
Bombeiros em operação 28
Água utilizada 480 mil litros
Tempo até controle 8 horas
Controle declarado 10h30
Rescaldos finais 16h (sábado)

"Quando chegamos, o telhado já tinha desabado. A prioridade foi impedir que o fogo se espalhasse para os galpões vizinhos — um depósito de tintas a 30 metros e uma fábrica de embalagens a 50 metros", relatou o capitão Marcos Ribeiro, que comandou a operação.

Os bombeiros usaram 480 mil litros de água — o equivalente a 24 caminhões-tanque cheios. A água foi captada de hidrantes industriais do Polo Empresarial e de um caminhão-pipa da Sanesul que foi acionado como reforço.

Às 10h30 de sábado, o fogo foi dado como controlado. Rescaldos persistiram até a tarde, com equipes de bombeiros monitorando pontos quentes com câmeras termográficas para detectar focos ocultos sob os escombros.

A investigação da causa

A Polícia Civil abriu inquérito para apurar a causa. O perito criminal Marcos Tavares esteve no local na manhã de sábado e coletou amostras de material carbonizado. As hipóteses iniciais: curto-circuito na fiação elétrica do galpão, combustão espontânea de material orgânico (papelão úmido pode gerar calor por decomposição bacteriana, atingindo temperaturas de ignição) ou incêndio criminoso.

O proprietário do depósito, José Carlos Pereira, 54 anos, disse que o galpão tinha alvará de funcionamento e seguro contra incêndio. "O seguro cobre R$ 800 mil. O prejuízo é de R$ 1,2 milhão. Vou ter que recomeçar do zero."

O Corpo de Bombeiros informou que o galpão não tinha Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) atualizado — o documento venceu em agosto de 2025 e não foi renovado. Sem AVCB, o estabelecimento operava irregularmente.

"Depósito de reciclável é classificado como risco alto de incêndio. Precisa de AVCB, extintores, hidrantes internos e saída de emergência. Esse galpão não tinha nada disso atualizado", disse o capitão Ribeiro.

Incêndios em depósitos de reciclagem: problema recorrente

O incêndio no Polo Empresarial não é caso isolado. Depósitos de material reciclável são uma das atividades com maior incidência de incêndios no Brasil. Dados do Corpo de Bombeiros de MS registram 18 incêndios em depósitos de recicláveis em Campo Grande nos últimos 3 anos — média de 6 por ano.

A alta frequência se explica pela natureza do material armazenado: fardos de papelão, plástico e tecido são combustíveis de alta carga térmica, acumulados em grandes volumes, frequentemente em galpões sem ventilação adequada e com instalações elétricas precárias. A combinação de calor, faíscas e material inflamável transforma qualquer depósito de reciclagem em um risco latente.

O Sindicato das Empresas de Reciclagem de MS estima que 60% dos depósitos de recicláveis da capital operam sem AVCB ou com documento vencido — por falta de recursos para adequação ou por desconhecimento das exigências legais. A regularização completa de um depósito de médio porte (1.500 m²) custa entre R$ 40 mil e R$ 80 mil — incluindo projeto de prevenção e combate a incêndio, instalação de hidrantes, extintores, sinalização e adequação elétrica.

Impacto ambiental e na saúde

A queima de plástico e papelão libera gases tóxicos — dioxinas, furanos e material particulado. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente instalou 2 medidores de qualidade do ar nos bairros Panamá e Tiradentes na manhã de sábado. Os resultados preliminares mostraram concentração de material particulado 3 vezes acima do limite recomendado pela OMS.

A secretaria emitiu alerta para moradores num raio de 3 km: manter janelas fechadas, evitar atividades ao ar livre e usar máscara em caso de desconforto respiratório. O alerta foi mantido até domingo à tarde, quando os níveis voltaram ao normal.

A água usada no combate ao incêndio, contaminada com resíduos de plástico derretido e produtos químicos, escorreu para uma galeria pluvial que deságua no córrego Anhanduí. O Imasul coletou amostras da água do córrego a jusante do ponto de descarga para análise de metais pesados e compostos orgânicos voláteis.

Impacto social: 22 trabalhadores afetados

O depósito empregava 22 trabalhadores — sendo 8 catadores autônomos que vendiam material ao depósito e 14 funcionários registrados em CLT. Todos perderam sua fonte de renda imediata. A Secretaria Municipal de Assistência Social cadastrou os trabalhadores para inclusão no Cadastro Único e acesso a benefícios emergenciais.

No Polo Empresarial, na manhã de domingo, o galpão era uma estrutura de ferro retorcido e cinzas. O cheiro de plástico queimado ainda pairava. Um catador de reciclável, que trabalhava para o depósito, olhava os destroços da calçada. "Meu ganha-pão tava ali dentro. Agora tá em cinza."

💰 O custo de um incêndio em reciclagem

1

Prejuízo total

R$ 1,2 milhão

2

Área destruída

2 mil m²

3

Água usada no combate

480 mil litros

4

Empregos afetados

22 trabalhadores

Fonte: Corpo de Bombeiros de MS / Defesa Civil / Polícia Civil

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CF

Camila Ferreira

Repórter