Avião agrícola cai em lavoura de Chapadão do Sul e piloto morre
Aeronave Embraer Ipanema caiu durante pulverização na manhã de terça-feira. Cenipa investiga causa. Piloto tinha 12 anos de experiência.

Um avião agrícola modelo Embraer EMB-202A Ipanema caiu durante operação de pulverização em uma lavoura de soja a 18 km de Chapadão do Sul, na manhã de terça-feira, 4 de fevereiro, por volta das 7h15. O piloto, Marcos Eduardo Ferreira, 38 anos, morreu no local. Ele era o único ocupante da aeronave.
O avião decolou às 6h40 da pista particular da Fazenda Bom Jardim, carregado com 600 litros de defensivo agrícola. Segundo testemunhas — funcionários da fazenda que acompanhavam a operação do solo —, a aeronave fazia a terceira passagem sobre o talhão quando perdeu altitude bruscamente e atingiu o solo em ângulo de aproximadamente 45 graus.
O resgate
O Corpo de Bombeiros de Chapadão do Sul foi acionado às 7h22 e chegou ao local às 7h48. A aeronave estava destruída, com a fuselagem partida ao meio. Não houve incêndio — o tanque de combustível se rompeu, mas o querosene de aviação se dispersou no solo sem ignição.
O piloto foi encontrado preso aos destroços da cabine. O óbito foi constatado no local pelo médico do Samu. A causa da morte, segundo laudo preliminar, foi politraumatismo.
A área ao redor dos destroços foi isolada num raio de 200 metros por causa do defensivo agrícola derramado — 600 litros de inseticida organofosforado, classificado como toxicidade moderada. A Iagro enviou equipe para avaliar a contaminação do solo e orientar a descontaminação.
A investigação
O Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) foi notificado e enviará equipe de Brasília para investigar. A aeronave será periciada no local antes de ser removida. A caixa-preta — obrigatória em aviões agrícolas desde 2019 — foi recuperada intacta.
As hipóteses iniciais incluem falha mecânica (motor ou comandos de voo), condições meteorológicas (vento de rajada) e erro humano. A temperatura às 7h15 era de 28°C, com umidade de 68% e vento de 12 km/h — condições consideradas normais para operação agrícola.
O Ipanema é o avião agrícola mais usado no Brasil — são 1.400 unidades em operação. O modelo tem histórico de segurança considerado bom pela Anac, com taxa de acidentes de 2,1 por 100 mil horas de voo.
O piloto
Marcos Eduardo Ferreira era natural de Presidente Prudente (SP) e morava em Chapadão do Sul há 8 anos. Tinha 12 anos de experiência como piloto agrícola e 4.800 horas de voo registradas. Era casado e pai de duas filhas, de 6 e 9 anos.
Colegas de profissão o descreveram como "piloto experiente e cuidadoso". "O Marcos não era de fazer manobra arriscada. Voava dentro do procedimento. Se caiu, foi algo que ele não controlava", disse o piloto agrícola Rodrigo Tanaka, que trabalhava na mesma empresa.
A empresa de aviação agrícola AeroAgro, sediada em Chapadão do Sul, para a qual Marcos trabalhava, emitiu nota lamentando a morte e informando que "colabora integralmente com as investigações do Cenipa".
Aviação agrícola em MS
MS tem 280 aviões agrícolas registrados na Anac — o quarto maior estado em frota. A aviação agrícola pulveriza 3,2 milhões de hectares por safra no estado, aplicando defensivos, fertilizantes foliares e dessecantes.
O setor emprega 840 pilotos e 2.400 profissionais de apoio (mecânicos, abastecedores, sinalizadores). O faturamento anual é de R$ 620 milhões, segundo o Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola.
Nos últimos 5 anos, MS registrou 14 acidentes com aviões agrícolas, com 4 mortes. A principal causa: colisão com obstáculos (fios de alta tensão, torres, árvores) durante voo rasante. A segunda: falha mecânica.
A Anac reforçou em 2025 as exigências de manutenção para aviões agrícolas, incluindo inspeção obrigatória a cada 100 horas de voo (antes era 200) e substituição de componentes críticos a cada 500 horas.
Na Fazenda Bom Jardim, na tarde de terça-feira, a lavoura de soja ao redor dos destroços continuava verde e intacta. A 200 metros, outro avião agrícola decolava para continuar a pulverização que Marcos não terminou. A safra não espera.
O cerimônia e as homenagens
O funeral do piloto reuniu mais de 400 pessoas na capela de Chapadão do Sul. Colegas de profissão realizaram um sobrevoo em formação de 5 aeronaves agrícolas sobre o cemitério em homenagem — tradição da aviação agrícola brasileira para pilotos falecidos em serviço. A família recebeu manifestações de solidariedade de empresas aéreas agrícolas de todo o Brasil. O Sindicato Nacional de Aviação Agrícola (Sindag) emitiu nota pedindo que a morte de Marcos inspire avanços regulatórios na segurança do setor — especificamente a obrigatoriedade de sistemas de ejeção de emergência e de rastreamento por satélite em todas as aeronaves agrícolas.
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💰 Aviação agrícola em MS
Aeronaves agrícolas em MS
420
Acidentes em 2025
6 ocorrências
Mortes em 5 anos
8 pilotos
Área pulverizada/ano
4,2 milhões de hectares
Fonte: Cenipa / Corpo de Bombeiros / Polícia Civil
❓ Perguntas Frequentes
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A aviação agrícola deveria ser mais regulada?
Camila Ferreira
Repórter
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