UPA do Coronel Antonino será ampliada com investimento de R$ 18 milhões
Unidade receberá novo centro de estabilização, sala de tomografia e mais 30 leitos. Obra começa em maio e deve ser concluída em 10 meses.

A Prefeitura de Campo Grande anunciou nesta segunda-feira o projeto de ampliação da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Coronel Antonino, uma das mais movimentadas da capital sul-mato-grossense. O investimento de R$ 18 milhões prevê a construção de um centro de estabilização com 30 novos leitos, instalação de tomógrafo computadorizado, reforma das áreas existentes e modernização completa dos sistemas de climatização e gás medicinal. A obra promete transformar a unidade na maior UPA do estado.
O projeto foi apresentado em audiência pública na Câmara Municipal, com participação de profissionais de saúde, moradores da região e representantes do Conselho Municipal de Saúde. A secretária municipal de Saúde explicou que a ampliação é uma resposta direta ao crescimento da demanda na região, que registrou aumento de 35% no número de atendimentos nos últimos três anos, impulsionado pelo crescimento populacional dos bairros Coronel Antonino, Monte Castelo e Jardim Paulista.
Estrutura atual e gargalos
A UPA do Coronel Antonino atende atualmente uma média de 280 pacientes por dia, com picos que ultrapassam 400 atendimentos durante surtos de doenças respiratórias e epidemias de dengue. A unidade, inaugurada em 2014, foi projetada para atender no máximo 200 pacientes diários, o que resulta em superlotação crônica, tempos de espera superiores a seis horas para casos de baixa complexidade e condições precárias de trabalho para os profissionais de saúde.
O atual layout da unidade conta com 18 leitos de observação, dois consultórios médicos, uma sala de emergência e equipamentos de raio-X. Não dispõe de tomógrafo — exame essencial para diagnóstico de AVC, traumatismo craniano e outras emergências neurológicas — nem de leitos de estabilização para pacientes graves que aguardam transferência para hospitais de referência. Pacientes que necessitam de tomografia precisam ser transportados por ambulância até o Hospital Regional ou a Santa Casa, um percurso que pode levar até duas horas em horário de pico.
"Perdemos pacientes por causa dessa logística. Um AVC tem janela terapêutica de quatro horas e meia. Se a gente gasta duas horas só para fazer uma tomografia, estamos condenando esse paciente. A ampliação não é um luxo — é uma emergência de saúde pública", alertou o médico emergencista e presidente da comissão médica da UPA.
O projeto de ampliação
| Item | Situação Atual | Após Ampliação |
|---|---|---|
| Leitos de observação | 18 | 48 (+30) |
| Consultórios médicos | 2 | 5 |
| Tomógrafo | Não tem | 64 cortes |
| Atendimentos/dia | 280 | 450 |
| Tempo de espera (pico) | 6 horas | 2 horas |
| Equipe profissional | 82 | 127 (+45) |
A nova ala, com 1.200 metros quadrados de área construída, será edificada em terreno adjacente já desapropriado pela prefeitura. O projeto, elaborado pelo escritório de arquitetura hospitalar contratado via licitação, segue as normas da Anvisa (RDC 50/2002) e incorpora conceitos modernos de fluxo hospitalar que separam completamente os pacientes de baixo risco dos casos graves.
O centro de estabilização contará com 30 leitos equipados com monitores multiparamétricos, ventiladores mecânicos e bombas de infusão, permitindo que pacientes graves recebam suporte avançado de vida na própria UPA enquanto aguardam vaga em UTI hospitalar. Atualmente, esses pacientes ficam em macas nos corredores, conectados a equipamentos improvisados e com acompanhamento limitado.
A sala de tomografia receberá equipamento de 64 cortes — tecnologia que permite exames em menos de 30 segundos e com alta resolução diagnóstica para emergências vasculares e traumáticas. O equipamento, orçado em R$ 3,2 milhões, será adquirido via pregão eletrônico e contará com manutenção preventiva contratada por cinco anos. A estimativa é que o tomógrafo realize 1.800 exames por mês, eliminando a necessidade de transferência de pacientes para exames de imagem.
Além da nova ala, o projeto contempla reforma completa das instalações existentes, incluindo substituição do sistema de climatização, adequação elétrica para suportar os novos equipamentos, modernização do sistema de gás medicinal com central de oxigênio líquido e instalação de gerador de emergência com autonomia de 72 horas para garantir funcionamento ininterrupto em caso de queda de energia.
Impacto no atendimento
A Secretaria Municipal de Saúde estima que a ampliação permitirá aumentar a capacidade de atendimento diário de 280 para 450 pacientes, reduzir o tempo médio de espera de seis para duas horas e zerar a fila de pacientes aguardando transferência em macas nos corredores. A meta é que, após a conclusão da obra, nenhum paciente espere mais de 30 minutos para o primeiro atendimento médico em casos classificados como amarelo (urgente) pelo protocolo de Manchester.
A equipe profissional também será ampliada. O projeto prevê a contratação de 45 novos servidores, incluindo 12 médicos (seis emergencistas e seis clínicos gerais), 20 enfermeiros e técnicos de enfermagem, oito técnicos de radiologia e cinco profissionais de apoio administrativo. O concurso público para as vagas está previsto para julho, com nomeação imediata dos aprovados para permitir treinamento antes da inauguração da nova ala.
Cronograma e financiamento
A obra tem previsão de início em maio de 2026 e conclusão em março de 2027 — cronograma de 10 meses considerado apertado pela equipe técnica, mas viável segundo a construtora selecionada. O contrato prevê multa de 0,5% do valor total por dia de atraso, mecanismo que visa garantir o cumprimento do prazo.
Os R$ 18 milhões serão financiados com recursos do Fundo Nacional de Saúde (R$ 12 milhões, já empenhados) e contrapartida municipal (R$ 6 milhões). A prefeitura também formalizou pedido junto ao Ministério da Saúde para habilitação da UPA como Tipo III — classificação mais alta que garante custeio mensal de R$ 500 mil para manutenção, o dobro do repasse atual.
O Conselho Municipal de Saúde aprovou o projeto por unanimidade e criou comissão para acompanhar a execução da obra, com participação de representantes da comunidade, profissionais de saúde e vereadores. As reuniões de prestação de contas serão mensais e abertas ao público.
Rede municipal de urgência e emergência
A ampliação da UPA do Coronel Antonino faz parte de um plano mais amplo de reestruturação da rede municipal de urgência e emergência, que prevê investimentos totais de R$ 52 milhões até 2028. Além dessa unidade, estão previstos a construção de uma nova UPA na região do Segredo (R$ 15 milhões), a reforma da UPA Universitário (R$ 8 milhões) e a implantação de quatro Centros de Atenção Primária Ampliada nos bairros com maior demanda reprimida.
O modelo adotado pela Sesau-CG para a rede de urgência segue o conceito de hierarquização dos atendimentos, no qual as UBSs fazem a atenção primária (consultas agendadas e acompanhamento de crônicos), as UPAs atendem urgências e emergências de média complexidade, e os hospitais ficam reservados para alta complexidade (cirurgias, UTI e internações prolongadas). A ampliação da UPA Coronel Antonino, com a criação do centro de estabilização, permite que pacientes graves permaneçam na unidade por até 72 horas, reduzindo a pressão sobre os hospitais que hoje operam com taxa de ocupação de 94%.
Um diferencial do projeto é a integração digital entre todas as unidades da rede. O sistema de prontuário eletrônico unificado, já em implantação, permitirá que qualquer profissional de saúde da rede municipal acesse o histórico completo do paciente em tempo real, evitando exames repetidos, interações medicamentosas perigosas e a perda de informações clínicas durante transferências entre unidades — problema que hoje compromete a continuidade do cuidado e gera desperdício estimado em R$ 12 milhões por ano.
"A UPA ampliada do Coronel Antonino será o coração da rede de urgência da zona norte. Mas ela não funciona isolada — precisa estar conectada digitalmente aos hospitais de referência, às UBSs e ao SAMU para que o paciente tenha continuidade de cuidado em qualquer ponto da rede, independentemente de onde ele entrou", reforçou a secretária municipal de Saúde.
💰 O que muda no atendimento pra você
Capacidade de atendimento/dia
De 280 para 450 pacientes
Tempo de espera
De 6h para 2h
Novos leitos de estabilização
30 leitos
Tomografia na UPA
1.800 exames/mês (sem transferência)
Fonte: Sesau Campo Grande
❓ Perguntas Frequentes
Obra prevista de maio/2026 a março/2027, totalizando 10 meses de construção.
Não. Atualmente pacientes que precisam de tomografia são transferidos por ambulância ao Hospital Regional, perdendo até 2 horas.
45 novos servidores: 12 médicos, 20 enfermeiros/técnicos, 8 técnicos de radiologia e 5 administrativos.
R$ 12 milhões do Fundo Nacional de Saúde (federal) e R$ 6 milhões de contrapartida municipal.
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