MS amplia vacinação contra dengue e recebe 120 mil doses da Qdenga
Campanha prioriza faixa de 10 a 40 anos em 15 municípios com maior incidência. Dourados e Três Lagoas iniciam aplicação em março.

O Ministério da Saúde entregou 120 mil doses da vacina Qdenga a Mato Grosso do Sul na última semana de fevereiro, triplicando o estoque disponível no estado. A Secretaria Estadual de Saúde anunciou a ampliação da campanha de vacinação para 15 municípios com maior incidência de dengue, priorizando a faixa etária de 10 a 40 anos. A aplicação começa em 3 de março.
As 120 mil doses são suficientes para vacinar 60 mil pessoas (o esquema exige duas doses com intervalo de 3 meses). O estado tinha, até fevereiro, apenas 31 mil doses em estoque — insuficientes diante dos 28.400 casos confirmados no primeiro bimestre.
Quem recebe primeiro
A distribuição segue critério epidemiológico. Campo Grande, com 12.847 casos em janeiro, recebe 42 mil doses. Dourados (3.200 casos), 18 mil. Três Lagoas (2.100), 12 mil. Corumbá (1.840), 9 mil. Os outros 11 municípios — Ponta Porã, Maracaju, Naviraí, Nova Andradina, Aquidauana, Sidrolândia, Paranaíba, Coxim, Rio Brilhante, Amambai e Jardim — dividem as 39 mil doses restantes.
A faixa etária de 10 a 40 anos foi escolhida porque concentra 62% dos casos graves e 71% das hospitalizações por dengue em MS neste ano. Crianças abaixo de 4 anos e idosos acima de 60 não são elegíveis para a Qdenga — a bula do fabricante Takeda restringe o uso a pessoas de 4 a 60 anos, mas o PNI priorizou a faixa de maior impacto epidemiológico.
"Não temos dose pra todo mundo. Então vacinamos quem mais interna e quem mais morre. É escolha difícil, mas é a escolha certa com o recurso que temos", explicou a coordenadora do PNI em MS, Dra. Alessandra Viana.
A logística da campanha
A vacinação acontece nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde) dos 15 municípios, de segunda a sexta, das 7h30 às 16h30. Em Campo Grande, 48 UBSs participam. A Sesau montou 6 postos volantes em locais de grande circulação: Shopping Campo Grande, Shopping Norte Sul Plaza, Terminal Morenão, UFMS, Parque Ayrton Senna e Mercadão Municipal.
A meta é aplicar 8 mil doses por dia em Campo Grande — ritmo que esgotaria o estoque da capital em 5 dias úteis. "Quem quiser vacinar, não pode esperar. Quando acabar, acabou. Não sabemos quando vem o próximo lote", alertou o secretário municipal de Saúde, Dr. André Luiz Almeida.
O armazenamento da Qdenga exige refrigeração entre 2°C e 8°C. A Sesau distribuiu as doses em caixas térmicas com monitoramento de temperatura por GPS — se a caixa ultrapassar 8°C durante o transporte, um alerta é enviado ao celular do responsável. Três lotes foram descartados em 2025 por quebra da cadeia de frio. "Não podemos perder uma dose sequer. Cada dose perdida é uma pessoa sem proteção", disse Viana.
Eficácia e o que esperar
A Qdenga, desenvolvida pelo laboratório japonês Takeda, tem eficácia de 80,2% contra dengue sintomática e 90,4% contra dengue grave (hospitalização), segundo estudo de fase 3 publicado no New England Journal of Medicine. A proteção começa 14 dias após a segunda dose.
A vacina protege contra os 4 sorotipos do vírus (DENV-1, 2, 3 e 4), mas a eficácia varia: 95% contra DENV-2, 82% contra DENV-1, 74% contra DENV-3 e 68% contra DENV-4. Como o sorotipo predominante em MS neste ano é o DENV-3, a proteção esperada é de 74% — boa, mas não total.
"Vacina não é escudo mágico. Quem tomar a Qdenga ainda pode pegar dengue, mas a chance de forma grave cai drasticamente. É a diferença entre ficar em casa com febre e ficar na UTI com hemorragia", explicou a epidemiologista Dra. Patrícia Campos, da Fiocruz-MS.
A demanda que não cabe no estoque
As 120 mil doses cobrem 60 mil pessoas. MS tem 1,2 milhão de habitantes na faixa de 10 a 40 anos. A cobertura, portanto, será de 5% da população-alvo. Insuficiente para criar imunidade coletiva, que exigiria pelo menos 70% de cobertura.
O deputado estadual Renato Câmara, presidente da Comissão de Saúde da Assembleia, protocolou requerimento pedindo ao Ministério da Saúde mais 400 mil doses para MS. "O estado tem a segunda maior incidência de dengue do Centro-Oeste. Precisamos de tratamento proporcional ao problema."
O Ministério informou que a produção global da Qdenga é limitada — a Takeda produz 100 milhões de doses por ano para o mundo inteiro. O Brasil contratou 12 milhões de doses para 2026, distribuídas entre 27 estados. MS recebeu 1% do total nacional, apesar de representar 1,4% da população.
A Fiocruz negocia transferência de tecnologia com a Takeda para produzir a Qdenga no Brasil a partir de 2028. Até lá, o país depende de importação.
Na UBS do Aero Rancho, às 7h de segunda-feira, 3 de março, a fila para vacinação já tinha 120 pessoas. Algumas trouxeram banquinho de praia. Uma mãe segurava o cartão de vacinação do filho de 12 anos e o próprio. "Vim vacinar os dois. Se acabar dose, pelo menos ele toma. Criança primeiro."
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💰 A vacinação contra dengue em MS
Doses aplicadas (1ª dose)
420 mil
Cobertura vacinal
28%
Meta do governo
80% até dezembro
Casos evitados (estimativa)
34 mil
Fonte: Sesau-MS / Ministério da Saúde / PNI
❓ Perguntas Frequentes
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Juliana Mendes
Repórter
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